Schaars e aquelas luvinhas... FILIPE ALEXANDRE DIAS
Rui Patrício 7 Só esfolou as luvas no couro ao evitar uma tentativa de Manuel José aos 54', mas foi determinante nas grandes defesas que fez a uma dupla tentativa de Michel (72'), a segurar a magra vantagem.
João Pereira 6 Não se entendeu com a atenção a si movida pelo surpreendente Luisinho, mas foi dos poucos a não se esconder em zonas de conforto. Nunca perdeu o norte, empregou dinâmica na direita e deu, amiúde, a garra tão pedida por Sá Pinto.
Onyewu 4 Estava a fechar bem o espaço no centro-direita, mas a torre norte-americana saiu precocemente da partida por incapacidade física logo aos 27'.
Polga 5 Sofreu com a pressão alta do Paços, contemporizando e perdendo espaço. Impecável o corte que fez a Melgarejo aos 66', mas quase comprometeu quando Luiz Carlos lhe levou a melhor, mas Michel esteve lá para falhar. Valeu-lhe isso.
Insúa 5 Dominado pela ansiedade na primeira parte, incorreu em vários equívocos. Brigão, é certo, mas imprevisível, mesmo frente a um Manuel José a jogar a espaços.
Rinaudo 6 Indomável na dobra e competente no transporte da bola pelo eixo do terreno - tarefa em que se teve de exceder -, surgiu muito agitado no início da segunda parte. Um reparo: inadmissível o modo como se desconcentrou do jogo durante uma discussão com Polga. Saiu mais cedo também por motivos físicos.
Elias 6 Errou demasiado nas entregas comprometendo a transição atacante, mas compensou ao ganhar muitas divididas, tirando partido da sua grande intuição. Recuou para a posição seis após a rendição de Rinaudo e lutou muito pela vitória.
Carrillo 5 Muito irrequieto e a imprimir velocidade no flanco direito, revelou-se inconsequente, pese os laivos com nota artística. No final deu importante auxílio na defesa por ordem expressa de Sá Pinto. Cumpriu.
Izmailov 6 Ainda em processo de reintegração. Valeu pela bravura e tentativa de criar desequilíbrios, graças à dinâmica de que não prescinde. Entrou a dar tudo, passou da esquerda para a direita aos 19' e procurou lutar contra a falta de espaço. Rendido aos 60'.
Van Wolfswinkel 3 Para quem duvidava que o seu momento era francamente mau, o Iceman dissipou dúvidas. Jogou muito só, sobretudo no primeiro período, mas, valha a verdade, pouco ou nada de produtivo logrou quando a bola lhe chegou às botas. Falhou passes; foi facilmente anulado nos duelos directos e à seca de golos de bola corrida juntou agora a falta de pontaria da marca de 11 metros - falhou aos 71'! Numa frase: tudo lhe saiu mal!
Carriço 6 Foi lá "chatear" no lance do 1-0 e dobrou muito a linha de meio-campo para disfarçar a dificuldade na construção atacante. O que lhe faltou em qualidade de passe sobrou-lhe em arreganho na contenção.
Pereirinha 5 Só com ele é que Luisinho se acalmou. Conseguiu equilibrar no flanco direito.
André Santos 5 Trouxe mais disparo e qualidade na posse de bola. Em onda goleadora, quase voltou a facturar numa bomba perto do fim.
Schaars 7
Professor à prova de ansiolíticos Um dos poucos leões cuja acção equivaleu a equilíbrio numa equipa animicamente em convalescença enquanto procura uma nova identidade, Stijn Schaars desde os primeiros toques mostrou que não se deixaria acometer por ansiedades contraproducentes. Dos poucos a conseguir passes de ruptura, esticando o jogo e variando flancos com a geométrica precisão do seu pé esquerdo, o holandês que em pequeno quis ser professor foi de tremenda disponibilidade física, correndo em busca da bola como se o amanhã não fosse uma certeza. Decisivo na transição atacante, na circulação de bola mais incisiva e também nas tarefas defensivas, foi o médio quem bateu o livre que valeu o golo do jogo. Merecia o seu, que bem tentou, em especial aos 89', num remate arqueado.
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