Agora é que o leão já morde a taça JEAN-PAUL LARES
O Sporting bateu o Marítimo, sem apelo nem agravo, vingou-se da derrota sofrida, neste mesmo Alvalade, para o campeonato e está nas meias-finais de uma Taça de Portugal que até pode já estar quase no bolso, tendo em conta que os principais adversários foram precocemente eliminados. O triunfo, esse, só chegou na segunda parte, mas solidificou-se com o passar dos minutos e até podia ter assumido expressão maior no marcador.
A importância do confronto traduziu-se, naturalmente, na forma como os dois treinadores montaram a sua estratégia, mantendo o essencial da estrutura habitualmente utilizada. Domingos Paciência permanece fiel ao 4x3x3, mesmo se teve de recorrer a André Martins para render o castigado Elias e apostou em Carrillo para os corredores laterais do ataque - opções que O JOGO oportunamente antecipou -, enquanto Pedro Martins, diante da equipa que representou na década de 90 do século passado, utilizou esquema absolutamente idêntico, mas desenhado para explorar o contra-ataque e o ataque rápido. Isso mesmo ficou evidente desde o arranque, com uma supremacia territorial dos anfitriões que tinha tanto de consentida como de conquistada. O Sporting jogava perto da área dos insulares, mas revelava dificuldades de penetração, enquanto o Marítimo foi mesmo o primeiro a criar perigo, privilegiando as iniciativas ofensivas nas costas dos laterais verdes e brancos, método que provocou calafrios que só Rui Patrício foi capaz de curar. Para mais, foi preciso tempo para que os jogadores da casa se habituassem à agressividade dos visitantes, algo consentida por Artur Soares Dias, o juiz da partida, que exibiu critérios difíceis de compreender.
Com o passar dos minutos, porém, o futebol dos leões cresceu e as oportunidades sucederam-se, mas esbarraram na falta de eficácia: Van Wolfswinkel voltava a ser perdulário e mantinha a companhia de Onyewu num desperdício a que se juntava também André Martins. Pelo caminho ficava a lesão de Carriço, rendido por um André Santos que acrescentou dimensão à manobra ofensiva, constituindo-se como uma mais-valia que conheceu tradução maior no segundo tempo.
Isto porque o intervalo foi ainda mais simpático para a equipa da casa, que acentuou a pressão, cresceu em controlo e chegou a sufocar uma defesa que sofria para conter os arranques de Carrillo ou os dribles de Capel. Muito forte nos corredores laterais, o Sporting trocava a bola cada vez mais perto da área e não surpreendeu que, na sequência de mais um excelente cruzamento de Capel, Carrillo fizesse o seu primeiro golo com a camisola verde e branca.
O Marítimo sentiu o golpe e, numa tentativa de reacção pouco equilibrada, concedeu mais espaços, que os leões aproveitaram para o golpe fatal: Van Wolfswinkel foi mais rápido e inteligente que Rossi, ganhou um penálti e a expulsão do adversário. Daqui para a frente ficou dissipada qualquer dúvida sobre o desfecho da eliminatória, mesmo se o holandês desperdiçou pela primeira vez um penálti de leão ao peito. Até porque minutos depois teve oportunidade para se redimir, aumentando para dois golos a vantagem verde e branca na cobrança de nova grande penalidade. O desconsolo e o descontrolo insulares eram cada vez mais evidentes, para gáudio das bancadas e alívio dos atletas verdes e brancos.
O jogo nada mais tinha para contar, além do golo de Insúa, das oportunidades desperdiçadas e dos lances vistosos e descontraídos do ataque leonino. Mérito, porém, para o Marítimo, que mesmo em desvantagem e inferioridade numérica, nunca desistiu de arriscar na procura de um golo que também merecia e que só não alcançou por puro desperdício de Baba e pelo acerto de Rui Patrício.
Para o Sporting, tão ou mais importante que o sucesso nesta partida é a confiança de partir para estas curtas férias sob o signo das vitórias, sabendo que continua a ser a única equipa portuguesa com opções em todas as competições que iniciou, estando mesmo muito perto de garantir presença no Jamor. Agora, depois da pausa, chega a Taça da Liga para recuperar o ritmo e, logo a seguir, a credibilidade da candidatura leonina ao título nacional será posta à prova no clássico com o FC Porto.
Sporting-Marítimo, 3-0.
Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto).
Sporting: Rui Patrício, João Pereira, Onyewu, Polga, Insúa, Carriço (André Santos, 20) André Martins (Pereirinha, 69), Schaars, Carrillo (Arias, 84), Van Wolfswinkel e Capel.
(Suplentes: Marcelo, Evaldo, Bojinov, Arias, Pereirinha, André Santos e Diego Rubio).
Marítimo: Ricardo Ferreira, Briguel, João Guilherme, Igor Rossi, Luís Olim, Roberto Sousa, Olberdam (Benachour, 68), Danilo Dias (Heldon, 76), Rafael Miranda, Sami (Pouga, 85) e Baba.
(Suplentes: Peçanha, Robson, Pouga, Ibrahim, Heldon, João Luiz e Benachour).
Ao intervalo: 0-0.
Marcadores:
1-0, Carrillo, 48 minutos.
2-0, van Wolfswinkel, 60 (grande penalidade).
3-0, Insúa, 82.
Acção disciplinar: Cartão amarelo para Polga (7), Rafael Miranda (18), Sami (24), André Santos (30), André Martins (44), Briguel (52), João Guilherme (59), Insúa (62), Baba (64) e Olberdam (67).
Cartão vermelho: Igor Rossi (55).
Assistência: 21522 espectadores.
www.ojogo.pt