«Tive de levar injecção no pé uma hora antes de saltar...» – Naide GomesPor António Simões
Uma hora antes de se lançar na qualificação do salto em comprimento, Naide Gomes teve de apanhar injecção no pé esquerdo. «Por causa disso, achei que tinha de arrumar a questão logo ao primeiro salto. Se não, a anestesia começava a passar, a dor a voltar. Concentrei-me ao máximo e... saiu bem, graças a Deus». Com 6,76 metros ficou automaticamente apurada, liberta dos restantes dois ensaios.
Foi a primeira a deixar o corredor de saltos com o apuramento na mão - e quando chegou, o rosto marcado de felicidade, à zona mista, revelou: «Foi tão bem anestesiado que, neste momento, ainda nem sinto o pé. Na final, vou ter de fazer o mesmo, para eliminar a dor. São os ossos do ofício desta vida de alta competição, os sacrifícios que temos de fazer. Ando com este problema desde Janeiro, já nos Europeus de Paris levei pica para saltar a final porque a passagem fora terrível, muito difícil. É óbvio: é isso que me tem limitado a época, não consigo trabalhar bem o pé, para a chamada...»
Antes da partida para Daegu revelou que fisicamente estava bem, que o único problema estava na... cabeça.«Claro que percebe porquê: já me irritavam sobretudo os nulos uns atrás de outros. Mesmo a doer fazia bons saltos, só que eram sempre ilegais. Para evitar que voltasse a acontecer, tive de me concentrar e ir buscar força onde não existe para acreditar em mim. É que se não acreditar em mim é um bocado complicado...»
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