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Análise às contas da Sporting SAD

A Sporting SAD apresentou o relatório e contas relativas ao exercício 2008/2009, com um prejuízo apurado de 13,349 milhões de Euros.
Destacam-se os seguintes aspectos, pela positiva:
◦Cash-flow positivo em 4,6 milhões de Euros;
◦Resultados operacionais (EBITDA) positivos em 2,7 milhões de Euros;
◦Receita record de 10 milhões de Euros na Champions League; Destacam-se ainda os seguintes aspectos, pela negativa:
◦Quebra de 92,5% nas receitas de Merchandising e Licenciamento (fruto da falência da TBZ);
◦Aumento dos custos operacionais em 14,9% e em particular dos custos com Pessoal (fruto das renovações de Polga, Moutinho e Liedson e algumas contratações a título definitivo);
◦Diminuição das receitas de bilheteira em 18,4% (fruto da quebra nas assistências e na venda de Gameboxes);
Estes resultados foram comentados pelo responsável pela área financeira do Sporting, José Filipe Nobre Guedes, pessoa com grande capacidade técnica e que tem desempenhado no Clube um papel fundamental à frente da área financeira.
Desde já, cumpre dizer que um responsável pela área financeira não é, em grande medida, responsável pela maioria das decisões de gestão que nela têm impacto, pese embora o dever de solidariedade que com elas mantém.
Num Clube como o Sporting, como em qualquer outra organização, os resultados financeiros resultam das decisões de gestão e da estratégia subjacente à sua actividade operacional.
De acordo com os comentários recolhidos, estes resultados estão em linha com o esperado e reflectem uma aposta na competitividade, suportada no esforço necessário para manter os principais valores no plantel, atendendo a que o Sporting não vendeu nenhum jogador neste exercício.
Sem prejuízo de esta visão reflectir na íntegra a realidade, não deixa de ser fundamental uma análise crítica mais aprofundada, o que tentaremos fazer de seguida.
Cash-flow positivo
Ao contrário do que muitos pensam, o facto de se ter registado um prejuízo não agrava no imediato o passivo. O prejuízo resulta da diferença negativa entre as receitas e os custos registados na contabilidade.
No entanto, em qualquer actividade (e no futebol não é diferente), há um desfasamento no tempo entre a contabilidade e a tesouraria. Isto significa que, apesar do prejuízo, a Sporting SAD recebeu mais dinheiro que o que pagou durante este exercício, daí o Cash-flow positivo. O passivo não aumenta, mas decresce no imediato.
Contudo, pela mesmíssima razão, o facto de se ter registado um prejuízo no exercício passado faz com que haja potencialmente (muito) menos dinheiro para receber no exercício actual.
Assim, a menos que existam injecções de capital ao longo do presente exercício, o esforço de tesouraria vai ser maior, o endividamento tenderá a aumentar e o passivo acabará realmente por se degradar.
Resultados operacionais (EBITDA) positivos
Em qualquer outra actividade seria uma excelente notícia. Significaria que os proveitos operacionais eram superiores aos custos operacionais (portanto haveria lucro nas operações), e só os custos financeiros e as amortizações é que degradavam os resultados.
No futebol, esta análise está incompleta.
No futebol, quando se compra um jogador, ele é considerado um investimento ao longo do tempo e portanto é imobilizado num mapa de amortizações anuais, tal qual como se fosse um computador ou um carro.
Isto significa que quando se investem 8,5 milhões na compra de Rochemback, Caneira, Postiga e Grimi, esse valor é levado a custo na rubrica de amortizações ao longo dos anos que duram os respectivos contratos.
É impossível assim fazer uma análise correcta das operações de um Clube olhando para o EBITDA, porque exclui as tais amortizações de passes de jogadores que também são custos relacionados com a operação (mesmo que na prática se chamem investimento).
Seria porventura mais correcto analisar o EBIT e não EBITDA. Mas à parte a linguagem técnica, a verdade é que os resultados operacionais do Sporting SAD não são necessariamente encorajadores, por esta razão. Este aspecto torna-se tanto mais grave quanto maior for a quantidade de jogadores adquiridos e presentes no mapa de amortização, que vão sendo libertados a proveito zero.
Assim de repente, vêem-me à memória os nomes de Romagnoli, Tiuí e o próprio Rochembach. Neste capítulo resulta óbvio (quase que LaPalissiano) que uma política de gestão desportiva que não valoriza activos e não retira deles rendimento desportivo ou financeiro, pode resultar naturalmente desastrosa para as contas de um Clube.
Diminuição de receitas de Bilheteira
Consequência óbvia de um posicionamento estratégico para o futebol que privilegia resultados em detrimento do espectáculo. Esta indústria vive fundamentalmente de dois aspectos:
1.Dos espectáculos que proporciona
2.Da valorização e rentabilização de activos Sobre a última, já falamos no ponto anterior. Sobre a primeira, é público e notório que o Sporting está assumidamente no futebol para privilegiar os resultados em detrimento do espectáculo.
Mas o que acontecerá, como parece ser o caso nesta temporada, em que apesar deste posicionamento, os resultados também correm o risco de não aparecer?
Conclusões
Por tudo o exposto, parece-nos óbvio que o Sporting (SAD) se encontra numa situações muito complexa, tendo o Presidente do Sporting Clube de Portugal uma tarefa muito grande pela frente, que compreende desafios muito difíceis:
1.Como prosseguir uma estratégica para o futebol que à data é de mera sobrevivência, ou seja, que não permitindo viver do espectáculo, também não se revela ganhadora?
2.Como implementar uma política competente e eficaz de gestão de activos, que os rentabilize desportivamente, os valorize e depois os transforme em mais valias?
3.Como fazer ambos os exercícios anteriores num contexto de enorme pressão sobre a tesouraria, que para além de padecer de um défice estrutural, será ainda mais pressionada pela ausência próxima de receitas (incluindo a gravidade da não participação na Champions)?
4.Por último, como inverter este perigoso e preocupante ciclo asfixiante, sem capitais próprios, sem património para fornecer como garantia e cada vez menos com menos crédito, ou seja, sem capacidade de investimento?
Agora some-se a tudo isto a situação do resto do universo do Grupo Sporting. É neste quadro que se joga o futuro do Sporting Clube de Portugal e o próximo capítulo da reestruturação financeira.
Como sobreviver a este buraco sem matar de vez o Clube e o sonho do Associativismo?
Fonte: Centúria Leonina
_________________ "EXISTEM 3 ESPÉCIES DE HOMENS: OS VIVOS OS MORTOS E OS QUE ANDAM NO MAR... OS FUZILEIROS."
FUZILEIRO UMA VEZ, FUZILEIRO PARA SEMPRE... !!!
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