Frieza nórdica no salero de Capel RODRIGO CORTEZ
Rui Patrício 6 O Braga esteve quase a relançar o jogo pouco antes do intervalo, mas Patrício, com um voo acrobático, conseguiu dar uma palmada com a ponta dos dedos na bola rematada de cabeça por Vinícius. Defesa fundamental, até pelo momento em que ocorreu. Antes disso tinha cometido dois erros, em duas bolas largadas para a frente: a primeira aos 24', num livre de Viana; a segunda aos 28', num centro de Barbosa que por pouco não deu golo.
João Pereira 6 Atento às movimentações de Hélder Barbosa e, por isso, pouco aventureiro nas subidas. Só descontraiu após a expulsão de Elderson.
Onyewu 6 Praticamente só teve um momento de realce, ao cortar um centro perigoso de Hugo Viana (mérito para o bom posicionamento) aos 16'. É a tranquilidade em pessoa, não inventa, e isso é um ponto a seu favor.
Polga 6 Tem oscilado entre o muito bom e o medíocre. Um corte fundamental aos 28', ao arrojar-se no chão para evitar o golo de Alan, corrigindo assim o erro de Rui Patrício.
Insúa 6 Óptima partida, defensiva e ofensivamente. Alan bem tentou dar cabo da defesa leonina, mas não foram muitas as vezes que passou pelo argentino. Na frente, excelentes combinações com Capel e... mais um golo que, apesar de ter sido obtido com uma sorte monstra, uma vez que o remate pareceu involuntário (a bola bateu nele após a defesa de Berni), não deixa de ter o seu mérito. Ia repetindo a dose num cabeceamento aos 53 minutos.
André Santos 5 Longe do repentismo de Rinaudo, tem um estilo bem diferente que, apesar de tudo, foi relativamente eficaz. Esta época não tem tido muitos minutos de jogo, por isso tem desculpa para os erros de posicionamento que por vezes abriam alguns espaços à frente da defesa.
Elias 7 Esteve em dois momentos fundamentais: primeiro com um passe deslumbrante para Matías, destruindo a defesa no contra-ataque que resulta no primeiro golo; depois ao provocar a expulsão de Elderson, quando corria em direcção à baliza de Berni.
Schaars 6 Não é homem de dar muitos passos com a bola colada aos pés, o que, a par de idêntica característica de Elias, faz com que, num ápice, a bola passe da defesa para os extremos ou para o ponta-de-lança. Se, muitas vezes, isso é bom, porque mais rapidamente a bola chega lá à frente, por outras, quando a defesa contrária está bem posicionada, dava jeito que não fosse sempre Matías a tentar furar. Os seus roubos de bola no meio-campo são um dos grandes pontos fortes da equipa.
Matías Fernández 7 Muito bem fisicamente, correu que nem uma flecha sempre que a equipa ganhava a bola, proporcionando contra-ataques rapídissimos, como aquele que resultou no primeiro golo. Está nos dois golos do encontro: conduz o contra-ataque do primeiro, libertando depois com inteligência para Van Wolfswinkel; no segundo, marca o livre com um efeito tal que fez com que Berni não conseguisse agarrar a bola. Teve ainda dois grandes roubos de bola na área leonina, com uma disponibilidade defensiva que prova o grande espírito de entreajuda da equipa.
Van Wolfswinkel 6 Já perdeu o ar ligeiramente trapalhão dos primeiros jogos. Veloz como uma seta, parece que há outro Levezinho em Alvalade. Assistiu Capel no primeiro golo da partida e teve ainda vários outros pormenores técnicos de gabarito. Está em alta e promete muito.
Carrillo 5 Reanimou o ataque com alguns raides cheios de intencionalidade, como aquele em que desferiu um remate à barra (86').
Carriço 5 Promete dar luta a André Santos na corrida ao lugar do lesionado Rinaudo. Não deu muito nas vistas, até porque jogou pouco tempo, mas cumpriu.
Evaldo 5 Dezasseis minutos (mais os descontos) com empenho positivo.
Capel 7
A avó de Schaars não marcava este Cinco cruzamentos, três remate e um golo: este o balanço prático de uma exibição que, não tendo sido das mais exuberantes que já fez em Alvalade, fica marcada por um pormenor que levou ao êxtase os adeptos. Se Capel é o típico jogador latino, com um salero assinalável que quase faz lembrar um toureiro a desviar-se das feras, ontem mostrou uma frieza nórdica que não se lhe conhecia. Quando o cruzamento de Van Wolfswinkel chegou aos seus pés, teve tempo para tudo: tempo para olhar para o árbitro assistente para ver se estava em fora-de-jogo e, depois, arte para sentar Berni com uma finta monumental, atirando então, calmamente, para a baliza deserta. Desta vez, Schaars não pode dizer que até a sua avó marcava... além disso, o andaluz assume-se como um dos mais regulares deste plantel: uma regularidade pouco habitual, tendo em conta que a sua fasquia é sempre elevada. Os centros são sempre bem medidos, as fintas não ficam a meio caminho, é uma arma fiável à disposição de Domingos.
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