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 Assunto da Mensagem: Re: Sporting - Valencia -Jogo de Apresentação - Época 2011/2
MensagemEnviado: 31 Jul 2011, 20:58 
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Transcrito com a devida vénia (porque estou perfeitamente de acordo com a ideia...) do BlogSangue Leonino...:

Humildade nunca fez mal a ninguém

Um banho de humildade nunca fez mal a ninguém. Bem pelo contrário. E regressar à Terra tem sempre efeitos benéficos, sobretudo quando andamos demasiadas vezes nas nuvens.

É certo que a nação leonina vive há muito traumatizada com o travo excessivo de amarguras e desilusões, sendo por isso enorme a ânsia de vitórias e momentos gloriosos. E também por isso a adesão a esta recente onda de entusiasmo e optimismo, alimentada por contratações em catadupa, é por si só um fenómeno natural e perfeitamente legítimo por parte de quem tanto gosta e vibra com o Sporting. Ao contrário de alguns puristas não vejo mal nenhum nisso. Mas...

Mas ontem veio o balde de água fria. Aliás, gélida.

E veio em boa hora, porque se há momentos de uma época onde se pode falhar e corrigir é precisamente agora. Na pré-época.

O plantel foi profundamente remodelado, alguns elementos que transitam estão a ser 'recauchutados', a equipa técnica é nova, há novos métodos de trabalho, nova filosofia, novos processos e outros mecanismos que carecem de ser assimilados. E como sabemos, nada disso acontece de um dia para o outro, nem por milagre. Como diria Octávio Machado: 'é preciso trabalho, muito trabalho'.

É perfeitamente aceitável que quase 50.000 espectadores e uma onda de entusiasmo e alegria que varreu as bancadas de Alvalade esperassem e merecessem um resultado positivo no jogo de ontem com o Valencia. Mas também é verdade que o adversário da noite passada não era um qualquer. Estávamos na presença 'apenas' da terceira potência futebolística da última década da muito competitiva liga espanhola, um emblema que tenta ombrear com os colossais Barcelona e Real.

A verdade é que se queremos resultados garantidamente positivos em jogos de apresentação, goleadas antes de tempo, então talvez devamos optar por convidar o Merelinense ou o Casa Pia, pese embora o respeito que esses clubes me merecem.

O jogo de ontem terminou 0-3, e se calhar ainda bem. Porque não somos tão bons como a vitória categórica frente à Juventus poderia fazer supôr, mas porque também não somos tão medíocres e pernas de pau como agora alguns pensam, sobretudo aqueles que já ameaçam devolver a gamebox e nunca mais voltar a Alvalade. Há ainda muito a fazer e o alarme de ontem significa isso mesmo.

É também muito pedagógico que chegue nesta altura um banho de humildade e um certo travão a excessos, até para que alguns responsáveis possam repensar certas afirmações, traduzidas em despropositada gabarolice. É aconselhável que pessoas com responsabilidade - como Carlos Barbosa - entendam quão perigoso e contraproducente pode ser afirmar que estamos, ou em breve estaremos, no mesmo patamar de Real Madrid ou Barcelona.

Num clube onde o bipolarismo grassa em significativas franjas da massa adepta e onde 'paciência' apenas existe no apelido do treinador, há que reiterar que é preciso dar tempo e que ainda há muito trabalho por realizar.

Temos que ser pacientes, deixando que as jovens apostas amadureçam (Rubio, Carrillo, Arias, Turan, Wolfswinkel...) e que valores mais experientes e seguros mostrem o seu real valor (Rinaudo, Schaars, Onyewu...), para que então possamos ter um conjunto forte, capaz de inequivocamente ombrear com os nossos directos rivais.

Precisamos que o plantel, fruto de muito trabalho, seja competente para que nos possa oferecer as alegrias que todos merecemos e que há muito tempo nos fogem.

And last but not the least: é fundamental que o saudável entusiasmo dos adeptos agora não esmoreça - com uma simples, embora pesada derrota - porque como alguém dizia não há campeões sem apoio vindo das bancadas.

Façamos a nossa avaliação e respectivos juízos de valor no final da época. Não no início.


Nuno M Almeida

(não se presta um bom serviço ao clube nem ao próprio Bruno Carvalho, invocando o nome deste e pedindo o seu regresso a cada desaire da nossa equipa. Será uma atitude abjecta, desprezível, nojenta mesmo, por parte de abutres alarves que constantemente pairam sobre Alvalade e que de sportinguistas nada mostram ter.)

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 Assunto da Mensagem: Re: Sporting - Valencia -Jogo de Apresentação - Época 2011/2
MensagemEnviado: 31 Jul 2011, 21:39 
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De volta... à jaula
FILIPE ALEXANDRE DIAS

Foi dura a lição ontem aplicada pelo Valência, suscitando uma estranha, mas legítima bipolaridade num Estádio de Alvalade que não se preenchia com tamanha moldura humana há seis (!) anos. Autêntico estraga-festas, o conjunto valenciano atirou o Sporting ao chão... e à realidade, quando os dias ainda são de preparação, dando que pensar a Domingos Paciência, que viu na sua defensiva fragilidades deveras alarmantes quando o renascer paira(va) na mente da família verde e branca. Perante o seu público e após a visita de um leão a sério - cortesia do circo Cardinali -, a equipa desiludiu! Doeu, ainda não foi a sério, claro, mas as interrogações receberam convite para entrar...

O Valência apresentava um desafio diferente num colectivo com rotação, veloz nas transições alicerçadas em processos simples e, sobretudo - isso é que atingiu os leões em cheio -, objectivo nos últimos metros. No seu prioritário 4x1x3x2, mas com pouco espaço e ainda menos bola, os homens da casa foram cedo manietados. Ao segundo minuto, o Valência já enviara uma bola ao ferro, e três minutos depois o silêncio de Alvalade falava por si: 0-1. Com uma defesa insegura sobretudo no lado canhoto, devido ao muito espaço existente entre Onyewu e o lateral-esquerdo Evaldo, e Carriço a nem sempre chegar às dobras, e um miolo com dois alas abúlicos em Izmailov e Djaló - com claras dificuldades em dobrar o seu meio-campo com articulação, dado que Rinaudo e Schaars estiveram abaixo do esperado -, só a custo o Sporting gerava perigo. O melhor conseguido surgiu numa bola ao poste disparada por Rubio, que aproveitara um erro alheio. Dono da partida, já ninguém se espantou com o segundo do Valência, e muito menos com a forma como surgiu: bola colocada nas costas do sector recuado lisboeta, Soldado correndo a toda a brida, com Carriço nas covas, e depois foi só bater Patrício. Demasiado fácil. Mas Alvalade só passou da euforia à lividez depois de experimentar um breve estado de alma entre a tolerância e a expectativa, quando Piatti fabricou o terceiro antecipando-se a uma coluna de leões e encostando próximo da baliza. Não era este o Sporting que as bancadas queriam de volta.

Para a segunda parte, e sem mexer na táctica, Domingos retirou Onyewu, Izmailov e Rubio, lançando Rodriguez, Pereirinha e Van Wolfswinkel, mas sem novas ideias. Com o opositor encostado à margem ganha e limitando-se a dar minutos aos seus jogadores, o encontro foi perdendo interesse com a chuva de substituições. Durante a etapa complementar, os entretanto estreantes Capel e Carrillo arrancaram aplausos avulsos; André Martins surgiu como falso ponta-de-lança com bons apontamentos; e Polga foi precioso ao evitar uma humilhação maior. Tudo sem que o Sporting esboçasse uma reacção à altura.

Há ainda muito por fazer nesta equipa a duas semanas do início da temporada. Para já, uma ideia sobressaiu: a defesa precisa de forma, conteúdo e agilidade. A derrota de ontem foi um sério aviso.


Sporting 0 Valência 3
Estádio José Alvalade

Árbitro Pedro Proença (Lisboa)

-

Sporting
Treinador Domingos Paciência


Rui Patrício (Marcelo Boeck 65'); João Pereira (Carrillo 82'), Carriço (Polga 65'), Onyewu (Rodriguez INT) e Evaldo; Rinaudo (André Santos 59'), Izmailov (Pereirinha INT), Schaars (Luis Aguiar 59') e Yannick Djaló (Diego Capel 66'); Diego Rubio (Wolfswinkel INT) e Postiga (André Martins 59')


Valência
Treinador Unai Emery


Diego Alves; Bruno (Maduro 65'), Rami (Tealbert INT), Ricardo Costa (Miguel 65') e Alba (Mathieu 65'); Albelda (Seshouli 65') e Topal (Jonas 65'); Pablo Hernández (Purtu 75'), Piatti (Parejo 65') e Bernat (Pardo 65'); Soldado (Mata 65')

-

ao intervalo 0-3

GoLOS 5' Bernat, 31' Soldado, 41' Piatti

CARTÕES Nada a assinalar

-

COMO COMEÇOU: 4x1x3x2
Aposta

Domingos Paciência parece decidido a trabalhar cada vez mais este sistema, com apenas um médio-defensivo (Rinaudo) e dois avançados (Postiga e Diego Rubio). Carriço e Onyewu foram a dupla de centrais.

COMO ACABOU: 4x1x3x2
Nuance

A base do esquema táctico manteve-se até final, mas com a troca de Postiga por André Martins houve uma pequena nuance: o médio jogou um pouco mais adiantado do que o habitual, no apoio directo a Van Wolfswinkel.




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 Assunto da Mensagem: Re: Sporting - Valencia -Jogo de Apresentação - Época 2011/2
MensagemEnviado: 31 Jul 2011, 21:44 
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COMO JOGARAM OS NOVOS DO SPORTING
Promessas de Capel


LUÍS PENA VIEGAS

Onyewu

Impressiona pela estampa, mas ontem aparentou ter sérias lacunas posicionais. O que lhe falta em velocidade, devia ter em colocação. Se for sempre assim, se não resolver este problema, o mais certo é que só dê jeito duas vezes por ano: quando defrontar Cardozo, para quem um sprint (também) é um sacrifício.


Rinaudo

Abaixo de jogos anteriores: demasiado espaço para um homem só controlar. Não deixou de ser agressivo nem de procurar estancar a construção valenciana, mas chegou quase sempre tarde. Poucos passes errados, mas também pouco risco no passe.


Schaars

Inexistente. Só se fez notar nas bolas paradas, cuja conversão lhe está confiada por Domingos. Faltou-lhe mobilidade e destreza para, com a leitura de jogo que o distingue, armar lances de ataque.


Diego Rubio

Tem sentido de baliza, mas ainda está verde, como ficou evidente à passagem do quarto de hora, quando falhou o empate: perspicaz a isolar-se, tentou fintar Diego e perdeu ângulo, atirando ao poste. Tem de ser trabalhado - e um antigo goleador como Domingos é o homem ideal para isso.


Rodriguez

Rendeu Onyewu ao intervalo, substituição que provavelmente se produziu para o jogo de ontem e para o futuro mais imediato. Sem ter sido tão exposto como o americano, não cometeu erros nem se deixou bater com facilidade.


Pereirinha

Opção logo no reatamento, posicionou-se na ala direita, primeiro como extremo, depois como lateral. Esteve desinibido em ambas as funções.


Van Wolfswinkel

Forte tecnicamente e inteligente nas desmarcações, também não teve oportunidade de finalizar - podia ter acontecido aos 72', em posição favorável, mas foi estorvado por... Pedro Proença. Parece frágil, mas Liedson também o era.


André Martins

Entrou com à-vontade, sem medo de ter a bola. Belo passe aos 72' para Van Wolfswinkel e bela arrancada aos 84' que acabou com Carrillo a demorar no remate.


Luis Aguiar

Agressivo, deu mais ritmo ao jogo. Passou a ser ele o homem das bolas paradas.


Marcelo Boeck

Nenhuma defesa e uma saída aos papéis (69').


Diego Capel

Acabou o jogo a tentar o golo de cabeça, mas foi com o pé esquerdo que deixou promessas de revolucionar o futebol leonino. Tem velocidade, é rápido, e percebe-se o sentido de cada uma das suas acções.


Carrillo

Cerca de uma dezena de minutos, suficiente para pormenores interessantes: tem bons pés, é desembaraçado e joga de cabeça levantada.



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 Assunto da Mensagem: Re: Sporting - Valencia -Jogo de Apresentação - Época 2011/2
MensagemEnviado: 31 Jul 2011, 21:46 
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COMO JOGARAM OS OUTROS DO SPORTING
João Pereira transita igual a si próprio


LUÍS PENA VIEGAS

Rui Patrício

Responsabilidades no primeiro golo do Valência, desentendendo-se com João Pereira e deixando as redes à mercê de Bernat. Evitou logo a seguir o 2-0 com uma excelente defesa (com os pés) a remate do mesmo Bernat e acabou por não ter culpas nos restantes golos da equipa espanhola.


João Pereira

A garra e a agressividade que coloca em campo permitiram-lhe não passar pelos problemas do resto da defesa, apesar da intervenção falhada no 1-0 (um erro a meias com Patrício). Foi um lance fortuito e por isso os verdes e brancos têm pelo menos a garantia de um lateral-direito que transita igual a si próprio da época passada, inclusive na dinâmica que confere ao processo ofensivo.


Carriço

Dificuldades na complicação que foi ter de vigiar um craque como Soldado e também nas dobras aos colegas da defensiva. Sempre que os adversários aceleravam, ou criavam desequilíbrios, viu-se em apuros. Esteve ligeiramente melhor na segunda parte, antes de ceder o lugar a Polga.


Evaldo

Os adeptos leoninos devem estar a rezar para que Turan seja bom. Porque Evaldo, que já desiludiu na época passada, teve mais uma apresentação francamente abaixo do exigível. Dois terços dos lances de perigo do Valência foram construídos pelo seu lado, revelando-se incapaz de acompanhar a pedalada dos adversários. E nas raras vezes em que arriscou apoiar o ataque apenas tirou cruzamentos sem objectivo, excepção feita a um passe bem medido para Carrillo, já nos últimos instantes.


Izmailov

Passou completamente ao lado do jogo. Ofensivamente, então, foi uma nulidade. Só em termos defensivos é que, nalguns momentos, ajudou João Pereira a fechar o corredor.


Yannick Djaló

Tentou agitar a partir do lado esquerdo, tanto em movimentos verticais como de fora para dentro, mas sem desequilibrar nem conseguir situações de finalização. A boa notícia é que continua leve e com uma relação bem melhor, mais aprimorada, com a bola.


Hélder Postiga

Foi dele o primeiro sinal de perigo e de reacção do Sporting, com um remate bem pensado e melhor executado que Diego Alves defendeu com dificuldade para canto. Voltou a tentar já perto da meia hora, desta vez de pé esquerdo, levando a bola a sair ao lado, e depois perdeu-se entre a falta de volume ofensivo (nunca lhe chegou um cruzamento ou um passe em condições) e a incapacidade de furar por si próprio a defesa do conjunto che.


André Santos

Entrou com a personalidade que lhe é característica, com vontade de arrumar a casa, e ainda procurou a meia distância para visar a baliza de Diego. Inteligente e desenvolvo, ocupou bem os espaços e mostrou que vai dar dores de cabeça a Domingos quando chegar a hora de definir quem entra como titular.




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 Assunto da Mensagem: Re: Sporting - Valencia -Jogo de Apresentação - Época 2011/2
MensagemEnviado: 31 Jul 2011, 23:40 
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isto, já, são uns anitos a virar galinholas e frangaínhos...se, nas épocas passadas, cá o Jubas...com o taberneiro & Cª...andava desmotivado...este ano temos matéria prima...é um "becadito" uma sociedade das nações...para isso esperamos um "Dimanches" com "paciência" activa... a sagacidade e a capacidade de nos surpreender, que o caracterizou em Braga...tem matéria prima...

...a pressa é inimiga da perfeição...em futebol A PERFEIÇÃO não existe...o que existe é a A APROXIMAÇÃO...


desculpem-me a tirada meia filosófica de cordel...quase tenho a certeza...que esta época vamos morder os calcanhares aos "lambepias" e aos "bostas"...é acarinhando a equipa, que afinal é a NOSSA...não desanimando ao primeiro arrufo...que vamos conseguir algumas alegrias esta época...encurtar distâncias é, para mim, o principal objectivo...deixem-se da ideia de campeões nacionais antecipados, para já...se vier não o enjeitamos...vamos equilibrar a contenda, fazer uma boa prova uefeira e na Taça de Portugal...dar competitividade ao campeonato nacional...rasgadinho...em ALVALADE ATÉ OS COMEMOS...passar esse espírito aos jogadores...e com eles empolgar o público...abafando os pasquineiros do costume...pressionando as arbitragens...denunciando toda e qualquer arbitrariedade...o "sabonetes" Pereira que se cuide!!! E a Liga das "tripas" também!!!

e uma "caganeira"para os reis e raínhas do assobio nos dias dos jogos em Alvalade...é o k'eu lhes desejo :x :x :x :idea:

A ELES LEONCIOS...NEM OS DEIXEM RESPIRAR!!! :scp: :scp: :scp: :sporting:: :onda: :scp: :onda:


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 Assunto da Mensagem: Re: Sporting - Valencia -Jogo de Apresentação - Época 2011/2
MensagemEnviado: 01 Ago 2011, 01:43 
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Mano Jubiano 100% de acordo....mais néspias....


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 Assunto da Mensagem: Re: Sporting - Valencia -Jogo de Apresentação - Época 2011/2
MensagemEnviado: 01 Ago 2011, 19:16 
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Exclusivo: Inácio e José Eduardo analisam derrota do Sporting

Em declarações ao Relvado, as duas figuras dos leões desculpam este primeiro percalço, mas não escondem dúvidas quanto ao potencial da equipa para se bater com Benfica e FC Porto.
A pesada derrota sofrida pelo Sporting no passado sábado frente ao Valência, no jogo de apresentação, foi um balde água fria para os sócios e adeptos. Duas das figuras do clube convidados pela direção leonina para esse encontro foram Augusto Inácio - último treinador português campeão nos leões, em 1999/2000 - e José Eduardo, campeão como jogador em 1981/82. Os dois desceram ao relvado alguns minutos antes do início da partida, juntamente com muitos outros que marcaram a história dos leões.

Em declarações ao Relvado, ambos não escondem que esperavam mais, mas lembram que uma equipa não se constrói em três tempos e que o excesso de euforia não ajuda. "Havia um ambiente em que a generalidade das pessoas achava que o Sporting ia ganhar ao Valência e que ia convencer, com uma grande exibição. Mas as coisas no futebol não são assim tão simples, pois o Sporting tem muitos jogadores novos e também um treinador novo", sublinha Inácio.

No entanto, na opinião do técnico campeão em 2000, "por vezes as derrotas podem fazer bem para travar a euforia, podendo ser este o caso". E defende que a vitória sobre a Juventus "foi enganadora, até porque as equipas italianas ligam pouco aos resultados nos jogos de preparação, encarando-os como um complemento do treino". E dá o seu próprio exemplo: "Na pré-temporada que fiz como treinador do Sporting [em 2000/01] ganhámos por 3-0 ao Parma no jogo de apresentação aos sócios e não fiquei eufórico..."

O treinador de 56 anos defende que o Valência "foi o primeiro adversário do Sporting nesta pré-época que realizou pressão no campo todo e que foi rápido no ataque, jogando ao primeiro e segundo toque". Daí "a falta de resposta do Sporting, mostrando que o entrosamento ainda está longe, com alguns jogadores a acusarem falta de velocidade a até força mental e concentração".

Esta derrota com o Valência "pode ser uma grande desilusão para os adeptos" mas não para Augusto Inácio. "Não fiquei nem triste nem alegre, pois sei que o Sporting está a construir uma equipa. Mas não escondo que esperava mais de alguns jogadores individualmente", refere, embora sem os enumerar. Porque, frisa, "não é fácil integrar 13 jogadores num novo país, com hábitos, línguas e alimentação diferentes".

Por isso, pede que seja dado tempo às aquisições. "Vamos esperar que eles possam dar outra imagem... Só daqui a algum tempo é que vamos perceber se alguns deles são bons jogadores ou não", refere.

No entanto, Augusto Inácio entende que esta época o título não passa de uma miragem para o Sporting. "No início da temporada passada as pessoas do Sporting não gostaram quando eu disse que havia uma grande diferença para FC Porto e Benfica. Mas verificou-se que eu tinha razão [os leões acabaram por terminar em terceiro, a 36 pontos do líder]. Penso que esta época terá de ser feito um trabalho de restruturação, pois o Sporting ainda tem algum caminho a percorrer face aos rivais. E em 2012/13, com mais alguns retoques, a equipa estará pronta para lutar de igual para igual", perspetiva.

O antigo lateral esquerdo deixa grandes elogios ao homem a quem entregou a braçadeira de técnico antes do jogo com o Valência. "Domingos Paciência tem grande qualidade, é um grande treinador. É o homem certo no cargo e pode ser que o calendário aparentemente acessível nas primeiras jornadas traga uma onda de vitórias que permita à equipa embalar", diz.

Se houve aspeto positivo no jogo de apresentação dos leões foi a grande presença de público, com quase 49 mil espetadores nas bancadas de Alvalade. Inácio destaca o regresso dos adeptos ao estádio. "Gostei muito do ambiente. Percebe-se que existe dinâmica de clube. Famílias inteiras estiveram presentes, muitas pessoas estavam com camisolas verde e brancas... Há um grande envolvimento à volta da equipa", regista.


José Eduardo quer dar tempo ao tempo

José Eduardo ficou desiludido com a prestação da equipa no jogo com o Valência. "Claro que esperava mais... Acho que todos os sportinguistas esperavam mais... Não gostei! No entanto, estamos numa fase muito inicial e não quero fazer muitas críticas", começa por dizer ao Relvado.

O antigo futebolista dos leões, curiosamente um ex-lateral, tal como Augusto Inácio, frisa que não fazia parte do lote de adeptos "que estava eufórico com a pré-época realizada". O responsável pela empresa de catering Casa do Marquês lembra que "a equipa é quase toda nova, isto para além do treinador também ser novo", justificando dessa forma a pesada derrota sofrida. Que até poderá ter aspetos positivos. "Uma derrota nunca é boa, mas neste caso pode ser muito útil, pois situa os responsáveis e os adeptos perante o trabalho que há para fazer", diz.

E a questão que na sua opinião se coloca é "saber se o Sporting terá ou não condições para atingir um patamar suficiente para fazer face aos desafios a que se propõe". E continua com uma questão: "Será que o magnífico trabalho realizado pela equipa de comunicação e marketing, chamando os adeptos ao estádio e permitindo a presença de quase 50 mil espetadores é consolidado por algo de substancial, ao nível da equipa de futebol?"

Isto porque, prossegue, "o resultado e a exibição com o Valência não trazem bons augúrios". José Eduardo acrescenta que "no papel, todos os jogadores que o Sporting foi buscar são de grande qualidade, mas terão de o provar no relvado".

Quem esteve no relvado antes do apito inicial de Pedro Proença no encontro com o Valência foi o próprio José Eduardo. Uma sensação fantástica, garante. "Fiquei muito sensibilizado com a direção do Sporting, por se ter lembrado de me convidar. Descer ao relvado é recordar as emoções de antigamente. E estes estádios novos, quando cheios, transmitem um entusiasmo indescritível", sublinha.

José Eduardo congratula-se com o facto de "se ter vivido uma tarde dos grandes ambientes, até parecia que o Sporting estava a festejar um título de campeão nacional". O que na sua opinião pode ter efeitos perversos. "Ficou demonstrado que o clube tem um grande potencial ao nível da sua massa adepta, mas por outro lado trata-se de uma enorme responsabilidade para os seus dirigentes. Se as coisas correrem mal e não houver uma estrutura consolidada não será nada agradável", defende.

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