Repetir fórmula ganhadora RAFAEL TOUCEDO
Foram precisos cinco jogos de experiências à procura de uma equipa-tipo para o Sporting começar a carburar. Numa primeira fase da época, Domingos procurava ainda implantar estilo e modelo de jogo e, com um plantel altamente reforçado e remodelado, a necessidade de integrar os novos jogadores numa nova realidade não ajudou... O técnico começou por apostar na continuidade, mas os resultados não apareciam (uma vitória, três empates e uma derrota nos primeiros cinco jogos da época), o futebol evoluía em relação a anos anteriores, mas continuava sem agradar e os adeptos mantinham os assobios e o clima de alta pressão e responsabilização, mesmo tratando-se de um grupo em formação. Após a derrota com o Marítimo, "ajudado" pelas ocorrências de última hora de mercado (saída de Djaló e Postiga e entrada de Insúa e Elias) e pela má sorte no capítulo clínico (os titulares Izmailov e Jeffrén não têm podido dar o seu contributo), Domingos operou uma pequena revolução na equipa, apostou com firmeza em reforços e consolidou um onze que soma cinco vitórias seguidas e que este final de tarde, em Guimarães, procura a sexta.
As experiências iniciais acabaram, o núcleo duro de Domingos está encontrado e, salvo mexidas pontuais, não sofre alterações. Os resultados, esses, estão à vista: o Sporting justifica finalmente o estatuto de grande dentro e fora de portas (lidera o Grupo D da Liga Europa e ataca a liderança na Liga depois de um arranque aos soluços), vence... e convence. Os assobios deram lugar aos aplausos; a harmonia entre equipa e adeptos não pára de crescer, alavancada não só nos resultados como também no estilo de jogo ofensivo e, por vezes, devastador; e, em parte, essa sintonia é motivada pela presença sempre empolgante de reforços influentes que aos poucos se vão afirmando e conquistando os adeptos.
Dos 11 jogadores que Domingos mais utilizou nos cinco primeiros jogos oficiais, apenas cinco estão entre os mais utilizados nos desafios que se seguiram: Rui Patrício, João Pereira, Schaars, Rinaudo e Capel. Ou seja, seis jogadores passaram a fazer parte das primeiras opções do técnico leonino, com a particularidade de serem todos reforços (Onyewu, Insúa, Wolfswinkel, Rodriguez, Carrillo e Elias). Desta forma, Domingos mantém somente, no onze mais regular, dois jogadores que transitam da época anterior, Rui Patrício e João Pereira, os únicos portugueses - e únicas escolhas leoninas do seleccionador Paulo Bento - e exemplo do novo paradigma do futebol sportinguista.
Carrillo aproveita e cresce com azares alheios As lesões de Izmailov e Jeffrén - tal como o ambiente adverso em Alvalade para Djaló, que contribuiu para a sua saída - foram aproveitadas da melhor forma pelo jovem André Carrillo. O extremo peruano foi dos primeiros reforços para a época em curso (apresentado ainda na temporada passada), mas numa perspectiva de futuro. Carrillo é um dos quatro atletas contratados para singrar a longo prazo e incluído na denominada "bolsa de valores", com Diego Rubio, Santiago Arias, Atila Turan e André Martins (este de regresso após empréstimo), mas o único a conseguir impor-se no imediato, aproveitando os referidos azares alheios. Bruno Pereirinha ainda lhe chegou a fazer frente nas escolhas de Domingos para a equipa inicial, mas o peruano começou a demonstrar porque lhe chamam a Cobra no seu país, fazendo a diferença em campo com a sua capacidade física, velocidade e drible serpenteante. Antes da recente série de cinco triunfos seguidos, Carrillo tinha estado seis minutos em campo. Contudo, é um dos artífices do actual bom momento da equipa, somando quase 300 minutos em quatro jogos (dos cinco que se saldaram com vitórias). Já rende.
Mais "dores de cabeça" já a seguir As lesões abriram janelas de oportunidade para jovens como Carrillo, mas Domingos Paciência poderá deparar-se com um novo "problema" no decorrer da época: o "excesso" de alternativas válidas para formar um onze. Se o regresso de Jeffrén, que se perspectiva já para depois da paragem para os compromissos internacionais das selecções, é uma situação pacífica, com o espanhol a reclamar, de forma natural, a titularidade ao jovem peruano que tem aproveitado para brilhar, já outras posições elevam o grau de dificuldade ao nível das escolhas. Tendo Domingos definido o trio do miolo e a frente de ataque com Rinaudo, Elias e Schaars e Wolfswinkel, torna-se evidente que jogadores potencialmente titulares como Matías Fernández ou André Santos, e até Bojinov, perdem fulgor na luta por um lugar no onze.
Já a outro nível, e numa perspectiva futura, quando se verificar o regresso de Izmailov à competição sobram as dúvidas sobre quem recairá a primeira escolha de Domingos: nos espanhóis das alas, no médio russo, ou altera no miolo? A confirmar...
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