Só faltou equipar-se e ir lá para dentro! Se quando jogava Ricardo Sá Pinto primava pela vibração, pela entrega sem quartel, a julgar pela amostra de ontem, pode-se esperar um técnico exigente, altamente interventivo, atento a tudo e com uma proximidade ao campo que não engana. O jogo em Varsóvia mostrou ainda algum sangue frio que nem todos reconhecem ao Coração de Leão. No golaço de André Santos, porém, festejou o Sá Pinto que todos conhecem.
Antes da partida, o treinador inspeccionou as suas tropas com minúcia, assistindo atentamente a todo o período de aquecimento da equipa. No começo do jogo, o ex-avançado esfregava as luvas em antecipação e começou por trocar impressões ligeiras com o quarto árbitro, ficando sobre a linha limite da sua área de intervenção. Carrillo irá recordar-se de ter sido o primeiro jogador a ser alvo de uma intervenção de Sá Pinto como técnico dos leões no decorrer de um jogo. Aconteceu ao primeiro minuto, após o peruano desperdiçar uma bola. A falar muito com o adjunto Tiago Moutinho, o novo treinador do Sporting passou os primeiro minutos a pedir um jogo com maior largura ao seu colectivo. Sempre a bater palmas e a bradar indicações e após um pulo de frustração em lance de perigo anulado a Izmailov (9'), Sá Pinto pediu posicionamento criterioso, maior proximidade entre as linhas e constantes apoios e aceleração nas transições. O ex-avançado chegou aos 36' a aumentar o tom, dando sinais de insatisfação. Sá Pinto pedia mais pressão sobre o adversário. No lance do golo do Légia, de bola parada, ficou imóvel e depois bateu palmas para animar os seus jogadores.
Um pouco mais contido no segundo tempo, o antigo internacional português voltou a manifestar-se ao ver as dificuldades da equipa a sair com a bola do seu meio-campo. Isto aos 50', já depois de ter mexido na equipa e alterado o desenho táctico. Veio o empate e, curiosamente, Sá Pinto não foi esfuziante. Ficou calmo e deixou-se abraçar por Nélson. Só de seguida gesticulou em trejeitos de incentivo, a sair da sua área.
Avesso aos floreados de Carrillo aos 73', deu extensas indicações a André Santos antes de o fazer entrar e retirar o Culebra. Contudo, o Légia voltou a marcar. Aí, o coração bateu mais forte e o treinador fez um gesto de repúdio, enquanto o seu banco pedia fora-de-jogo. Mas ainda havia muito por jogar. Enfim explodiu com aquela trivela para o 2-2 de André Santos e comemorou à sua maneira. Aí, Sá Pinto foi finalmente Sá Pinto, exultante, como quando fazia golos lá dentro.
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