Arias é para rebentar RAFAEL TOUCEDO
A vez de Santiago Arias está a chegar. O lateral-direito colombiano, contratado no último defeso para se integrar na "bolsa de valores" que os leões criaram no seio do plantel principal, para dar tempo de crescimento e adaptação aos mais novos e promissores elementos do grupo de trabalho sem exigência imediata, está precisamente na génese da tranquilidade com que o Sporting encara a provável saída de um dos titulares indiscutíveis, João Pereira. O emblema de Alvalade, ao que O JOGO apurou, aceita de bom grado a saída do também titular da seleção portuguesa como meio para equilibrar as finanças da SAD, pois entende que Arias vai explodir na próxima época e dá garantias para defender e atacar pelo corredor direito da equipa.
Quem o conhece bem e tem acompanhado a sua evolução nos últimos anos garante ao nosso jornal que Arias tem condições para corresponder à exigência de um grande clube europeu e espera que o lateral surpreenda para se afirmar no panorama internacional e conquistar o seu espaço na seleção principal da Colômbia. "É um craque que trabalha com consciência da responsabilidade. Aos 19 anos, era já o melhor lateral do país e um dos melhores do continente. A sua vontade de se juntar ao ataque faz dele um lateral virtuoso, com explosão e muito olfato de golo. Está totalmente preparado para ajudar e desenvolver aquilo que o clube pretender dele, está pronto para jogar de igual para igual com os mais dignos adversários semana após semana", diz o amigo e empresário Arieh Guberek, que destaca ainda a forte ligação que Arias sente pelo emblema luso: "Gosta muito de estar no Sporting e está muito comprometido com o clube."
Nas seleções jovens da Colômbia, dos 17 aos 20 anos, Arias evoluiu sob as ordens de Eduardo Lara (selecionador) e Rodrigo Larrahondo (preparador-físico). Lara reitera vezes sem conta a sua capacidade de fazer todo o flanco direito ("Tem ida e volta", repete), falando de um jovem com "boa técnica, boa saída para o ataque e sentido de baliza". "Tem potencial, é um lateral completo", sentencia o técnico, agora ao serviço do América de Cali.
Larrahondo acompanhou a evolução física do sportinguista na passagem à idade adulta e garante que "apesar de não se tratar de um jogador de grande volume ou definição muscular, tem o peso adequado". "Tem velocidade e capacidade técnica, além da intelectual, que em campo lhe permite dominar na perfeição os posicionamentos e tempos de subida e descida no seu posto. Pela técnica e físico, pode em pouco tempo ser um grande lateral. Marca de forma limpa, é bom no um para um defensivo, pois é muito vivo, está sempre atento, e é capaz de sair a jogar. É rápido a antecipar-se, lê bem o jogo e os movimentos do adversário, e tem capacidade para subir no terreno e aguentar em termos de ritmo físico a recuperação no terreno. É jogador de duas áreas, defende e ataca", comenta o preparador, que salienta os piques em distâncias curtas: "Os jogadores de raça negra, por genética, costumam dominar em velocidade. Ele é equilibrado, mas fazia sempre boas marcas, junto com os nossos mais rápidos, nos 30, 40 e 50 metros. E nunca teve lesões..."
Estrutura mental dá estabilidade O talento de Santiago Arias é amplamente elogiado, tal como as suas qualidades humanas. "Tem uma boa estrutura mental para aguentar este primeiro ano na Europa, para se ir adaptando e conhecendo melhor o estilo europeu", defende Eduardo Lara, técnico que deu apoio moral ao jogador num momento de dor e de profunda tristeza, quando o seu pai faleceu pouco antes de uma competição. "A morte do pai afetou-o. Disputámos o Sul-Americano em Janeiro de 2011, no Peru, e foi antes disso. Estar com o grupo nesse momento foi uma grande ajuda para superar essa fase difícil, teve todo o nosso apoio", recorda Larrahondo.
Arias nasceu em Medellín e em 2009 deixou a família para se mudar para a academia do La Equidad, em Bogotá, onde permaneceu até há cerca de dois anos, mudando-se para casa do empresário, que o acolheu "como um filho". "Tem muito boa formação, com princípios morais muito fortes", garante-nos Arieh Guberek, descrevendo as qualidades que lhe deram estabilidade para crescer como homem e jogador longe da mãe (Mónica) e da irmã (Tatiana), primeiro em Bogotá e agora em Lisboa. No dia a dia, conta Rodrigo Larrahondo, "é uma pessoa alegre, sempre na brincadeira com os colegas".
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