"Sou um lutador e nunca deixo nada para trás" RUI MIGUEL GOMES
As raízes turcas talvez inspirem o guerreiro que procura crescer em Aveiro para em breve regressar ao Sporting, mas a verdade é que Atila Turan, na irreverência dos seus 19 anos, ainda está longe do objectivo a que se propôs quando ouviu da boca dos responsáveis leoninos que seria emprestado para se adaptar à nova realidade futebolística. Portugal não é como a França, futebolisticamente falando - neste contexto -, e como o próprio faz questão de sublinhar, "não é pior nem melhor, é diferente", logo é preciso atalhar caminho para chegar onde esteve durante a pré-temporada: em Alvalade. E nem as dificuldades o fazem baixar a guarda, muito menos perante os nomes fortes que lhe tapam o lugar, Evaldo e Insúa.
Chegou ao Sporting mais tarde e teve poucas oportunidades de se mostrar na pré-temporada; no Beira-Mar, ainda não singrou... Como se define enquanto jogador? Sinceramente, prefiro que falem de mim. Sou lutador e nunca deixo nada para trás. Luto ao máximo pelos meus objectivos.
Ficou desanimado ou desiludido por não ter continuado no Sporting depois de ter sido contratado com o objectivo de ser alternativa, inicialmente, a Evaldo? Comecei a temporada com atraso em relação aos outros colegas que faziam parte do plantel, devido aos problemas inerentes à desvinculação, e isso prejudicou-me. Quando cheguei, não estava bem fisicamente nem tinha a pré-época feita. Realmente, estava atrás dos outros... Por isso é que o Sporting contratou Insúa no final do período de transferências, e sinceramente até foi bom ingressar no Beira-Mar, pois se continuasse no Sporting, teria poucas possibilidades de jogar. Foi bom assinar pelo Sporting e mesmo em França, com os plantéis já definidos, teria dificuldade em encontrar clube. Quero mostrar o meu valor para regressar ao Sporting.
Está convicto de que é uma aposta firme do Sporting e dos seus dirigentes? Que depositam muitas esperanças no seu futuro, isto se olharmos igualmente para a duração do contrato, de cinco anos, e para a cláusula de rescisão de 30 milhões de euros? Creio que sim, os responsáveis do Sporting disseram-me que o empréstimo ao Beira-Mar era precisamente com o sentido de eu me adaptar mais facilmente ao futebol português, de modo a poder evoluir mais e regressar ao clube com maior experiência. É isso que vou fazer, mostrar o meu valor e o que sei fazer.
O director-geral desportivo, Carlos Freitas, foi um dos mentores da sua contratação. Ele certamente falou consigo no momento da decisão de cedência; o que lhe disse em particular? Sim, falou comigo. Disse-me que sou um jogador jovem com enorme potencial, mas que tenho de evoluir e de me adaptar à nova realidade, ao futebol português.
Até ao momento, o que pode dizer sobre a sua experiência no Beira-Mar, onde não tem sido opção regular?... É diferente do Sporting, claro, não se podem comparar os clubes. Como passei de segunda opção para terceira no clube, foi melhor ingressar noutro emblema para poder jogar. Estou no Beira-Mar com esse objectivo. Estou a adaptar-me ao futebol português e espero poder ajudar a equipa no futuro.
"Tive medo de não assinar"
Com os problemas que teve na desvinculação do Grenoble, temeu em algum momento que o negócio com o Sporting não se concretizasse? É verdade que vivi momentos de grande ansiedade - tive medo que as coisas não se concretizassem. Mesmo no Grenoble, sabia que havia vontade em deixarem-me sair, mas queria um acordo que pudesse conseguir alguma verba para o clube. Tive paciência, esperei e correu bem. Tive outras opções para seguir a minha carreira, noutros países, mas o projecto mais interessante e importante era o do Sporting.
Curtas e rápidas
Qual a razão do nome Atila antes do Turan? Os meus pais nasceram na Turquia, em duas aldeias próximas de Antalya [Sul da Turquia]. É um país muito importante para mim.
Já se habituou à comida portuguesa? Os bolos têm massa mais pesada! Só sei fazer massa, batata frita com carne assada e mais nada.
E a música? Soa-lhe bem? Oiço um pouco de tudo, portuguesa e brasileira, por causa dos meus colegas no balneário...
Actor preferido? Bruce Willis.
E vai ao cinema? Em Portugal não! Não percebo... [risos] Gosto de filmes de terror!
Que palavras já sabe dizer em português, exceptuando as asneiras...?Entendo, mas não consigo falar bem. Mas tenho aprendido rápido, por exemplo... troca, defesa, frente, atrás, sobe, desce, bom dia e Portugal é um país muito bonito.
No Euro'2012, se houver um França-Turquia vai torcer por quem? Pela França.
É adepto de que clube? Em França, sou do Paris Saint-Germain, na Turquia do Galatasaray.
Porquê? O Paris Saint-Germain tinha Raí e Ronaldinho quando eu era mais novo, o Galatasaray por causa do meu pai.
Qual o seu ídolo? Roberto Carlos.
Era bom aluno? Mais ou menos; era aluno de nota 12. Ficava no fundo da sala e a minha disciplina preferida era Desporto, claro, e não Português [risos]!
SAD tem ajudado na adaptação do lateral a Portugal
Espera regressar ao Sporting na próxima época ou entende que será melhor, até pela idade que tem, continuar a rodar noutro emblema, já que o Sporting conta com dois laterais-esquerdos, casos de Insúa e Evaldo? Para já, estou a pensar apenas em jogar no Beira-Mar; essa é a minha preocupação. Se não jogar no Beira-Mar, como é que poderei regressar ao Sporting? Tenho de pensar já em ser titular, depois, sim, os dirigentes do Sporting podem dizer o que acham.
Tem falado com dirigentes do Sporting desde que está no Beira-Mar? Sente-se acompanhado pela estrutura do clube? Sim, tenho falado constantemente com os dirigentes do Sporting, inclusive têm-me enviado livros e documentos para eu aprender melhor o português e adaptar-me melhor. Estão sempre a ligar para saber se está tudo a correr bem; estão a apoiar a minha evolução.
Além do contacto com os colegas de equipa e da documentação enviada pelo Sporting, tem tido aulas de português? Não. É mais simples aprender com os colegas no balneário, mas os livros que me enviam do Sporting, com palavras básicas e essenciais, têm ajudado muito.
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