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in publico.pt I LigaDomingos Paciência vai passar a desafiar as probabilidades ao serviço do Sporting24.05.2011 - 11:37 Samuel Silva
Depois de conseguir levar o Sp. Braga à primeira final europeia, o treinador chega agora ao banco de um dos grandes clubes nacionais, para treinar uma das suas "vítimas" favoritas.
Não era alto nem forte, mas afirmou-se como homem de área. Depois fez-se treinador. E, mesmo sem estar num dos três "grandes", entrou para a história ao apurar-se para a final da Liga Europa, com o Sp. Braga. Como no tempo em que era goleador do FC Porto, o treinador Domingos Paciência continua a desafiar as probabilidades no futebol. E parece dar-se bem com isso. Agora, que chega ao banco de um dos maiores clubes nacionais, o técnico tem outro repto: recolocar o Sporting na rota dos títulos.
O treinador nascido em Leça da Palmeira há 42 anos será hoje apresentado formalmente como técnico do Sporting para a próxima temporada. O Estádio de Alvalade já não é o mesmo onde Domingos marcava golos com a camisola adversária, mas ficava ali, a escassos metros, o palco onde se habituou a ter sucesso. Nos anos 90, quando ele era um dos melhores avançados do futebol português, marcou três vezes no terreno dos "leões", a primeira das quais em 1993-94. No ano seguinte, foi ele quem cobrou o penálti que deu o triunfo portista. Assim selou o título que o FC Porto, treinado por Bobby Robson, haveria de festejar nessa noite em Alvalade.
O hábito de Domingos estragar as festas sportinguistas continuou no ano seguinte, bisando em Alvalade, na segunda volta do campeonato. A "saga" tinha tido, entretanto, um outro "capítulo", logo à primeira jornada, nas Antas. O Sporting até começou a vencer, mas o então "camisola 9" dos azuis e brancos deu a volta ao encontro. E o segundo golo é mesmo um dos mais impressionantes dos mais de cem que marcou ao longo da carreira. Sobre o final do jogo, recebeu a bola de costas para a baliza e deu-lhe três toques sem a deixar cair no chão, rematando à meia volta.
Este era Domingos Paciência enquanto jogador. Avançado com faro pelo golo e técnica apurada. Qualidades que o ajudaram a desafiar as probabilidades, tornando-se num "matador" reconhecido. Tinha 1,74 metros e menos de 70 quilos, características que não costumam assentar bem aos homens de área. Mas contornou as dificuldades que o físico lhe podia colocar e impôs-se pela técnica.
Foi essa capacidade com a bola que o levou para o FC Porto, juntamente com Vítor Baía, quando tinha 13 anos, por muito que os "olheiros" portistas desconfiassem do seu corpo franzino. Foi assim que fintou o futuro de miúdo nascido no Bairro do Rodão, em Leça da Palmeira, triunfando no futebol português e em Espanha, onde jogou no Tenerife. E tem sido essa capacidade de contornar obstáculos que o tem levado a impor-se como treinador.
A carreira nos bancos começou na União de Leiria, em 2006-2007, e, no ano seguinte, manteve-se pelo Centro do país, desta vez a treinar a Académica de Coimbra. Também aí fez do Sporting vítima, empatando com ambos os clubes frente à formação de Alvalade. Mas foi nas duas temporadas seguintes que Paciência se assumiu como um treinador de topo no futebol português, ao serviço do Sporting de Braga, onde se tornou no melhor técnico da história do clube.
"O Braga já teve grandes treinadores, mas, pelos resultados, o Domingos é, sem dúvida, o melhor". A opinião é de José Barroso, o médio de pontapé forte que começou a acabou a carreira na equipa minhota. Pelo meio, coincidiu com Domingos Paciência no FC Porto, em 1996-97.
"Conhece o balneário"
Nessa época, o ex-técnico "arsenalista" estava "tapado" por Mário Jardel, acabado de chegar a Portugal, que apontou 30 golos. "Ele marcou dois golos nesse ano, mas nunca o ouvimos queixar-se", conta Barroso, elogiando a "humildade" e a "capacidade de trabalho" do colega. Características que considera essenciais para o seu percurso como treinador.
"Mesmo com todo este sucesso, ele mantém a humildade e penso que isso é muito importante para que mantenha os pés assentes na terra", avalia Barroso. E lembra outros motivos para que Paciência continue a somar êxitos à sua carreira de treinador. "Domingos conhece o que se passa num balneário. Ele conhece as paredes e os jogadores e não há problema que seja uma novidade", conta o antigo "capitão" do Braga.
Quase 12 anos ao serviço da formação minhota fazem de Barroso um dos ídolos dos adeptos do clube, dando-lhe um conhecimento de causa quanto à realidade desportiva bracarense. Por isso, não tem dúvidas em afirmar que Domingos também se tornou um dos homens adorados dos "braguistas". Reflexo disso foi o abaixo-assinado que os sócios fizeram no mês passado, pedindo ao treinador que se mantivesse à frente da equipa.
Os motivos são óbvios: em dois anos, Domingos Paciência liderou o Braga nas duas melhores temporadas dos seus 90 anos de história. No ano passado, foi vice-campeão, somando 71 pontos e lutando, até à última jornada, com o Benfica de Jorge Jesus pelo triunfo na Liga. No campeonato que terminou agora, os minhotos acabaram em quarto lugar. Mas, mais do que a prestação interna, a época 2010-11 é histórica no plano internacional.
O Sp. Braga tornou-se a primeira equipa nacional fora de Lisboa e do Porto a apurar-se para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Um mau início impediu-o de chegar à fase seguinte da prova, mas agarrou o apuramento para a Liga Europa, com um triunfo diante do Arsenal. Na segunda prova mais importante da UEFA, seguiu-se uma caminhada vitoriosa, eliminando Lech Poznan, Liverpool, Dínamo de Kiev e Benfica.
Perdeu com o FC Porto na final, numa altura em que a sua saída já tinha sido assumida, mas não deixou de ser acarinhado pelos adeptos - no dia seguinte, quando o plantel foi homenageado na câmara municipal, foi um dos mais saudados.
O desfecho era o esperado, porque nem tudo foram rosas nesta temporada. Em Janeiro, depois de perder com o Paços para a Taça da Liga, o presidente António Salvador tinha considerado Domingos "um dos melhores treinadores que passou por Braga", mas entendia não ser "a altura certa" para renovar. O treinador reagiu com uma mensagem subliminar: "Há presidentes que mantêm treinadores com base no trabalho e nos resultados obtidos, outros apostam em técnicos a pensar num projecto de futuro".
O abaixo-assinado dos adeptos deixou o técnico "orgulhoso". A carreira na Europa e a recuperação na Liga portuguesa até fizeram Salvador inverter o discurso e lançar um desafio público ao treinador para que renovasse contrato. Mas era tarde e a porta de saída estava já aberta. Há muito que se especulava que o destino era o Sporting. Desde ontem que é oficial. Em Alvalade, Domingos vai continuar a desafiar as probabilidades.
Está então hora, de devolveres (com juros...e IVA...)aos adeptos sportinguistas, as alegrias que lhes retirastes algumas vezes...
Agora desejo é que sejas feliz no Sporting e nos faças também muitos felizes...
Porque o Sporting é o nosso grande amor...!!
_________________ Saudações Leoninas...
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