"Elias vai fazer história" FILIPE ALEXANDRE DIAS
Ele só fez a última metade da época 2003/04 e a primeira metade da seguinte pelo Sporting, mas, mesmo sem chegar a ídolo, ficou na memória pela qualidade do seu futebol, como comprovou noutras latitudes. Ele, quer dizer, Paulo César Fonseca do Nascimento, Tinga para o futebol. Foi o último detentor brasileiro do dorsal 77 verde e branco. O número deixado vago por Vukcevic passa a ter um novo dono natural do país irmão em Elias, logo o mais caro reforço de sempre dos leões, que o antecessor-compatriota tão bem conhece... e admira.
A O JOGO, falando desde Porto Alegre, Tinga nem deixa terminar a pergunta e sai logo a responder. "O Elias? Mas é que nem há dúvidas. O pessoal do Sporting pode ter a certeza que fez uma grande contratação. Fiquei contente com a notícia. É um craque que não engana, jogador de selecção, o que aqui é difícil, até pela posição. Eu sei muito bem como isso é", confiou o centrocampista, também ele com passado ao serviço da selecção canarinha.
Na opinião do ex-atleta leonino, Elias vai chegar, ver e vencer em Alvalade: "Quando saí do Borússia de Dortmund para voltar ao Internacional, o Elias era o melhor médio no campeonato brasileiro. Ele vem para o Sporting fazer história. Sei que o começo desta temporada não está a ser positivo para a equipa, mas ele tem tudo para comandar as operações no meio-campo. É um jogador com experiência, muito carácter e grande qualidade técnica e táctica."
"Que ele sinta o peso do clube" A passagem de um ano por Portugal não correu como Tinga esperava. Curiosamente, parte do impacto de ter jogado pelo Sporting só lhe surgiu muito depois, como recorda... num recado a Elias: "Espero que ele sinta o peso do grande clube que vai representar, porque tem dimensão mundial. Quando saí de Lisboa, fui para o Internacional e ganhei a Taça Libertadores, mas quando apareci no Borússia de Dortmund só me conheciam pelo que tinha feito e em apenas um ano no Sporting, por causa da fama do clube."
"Atenção que ele faz muitos golos" Elias chega a Alvalade rotulado como um atleta de qualidade acima da média, atendendo à realidade nacional. O médio formado pelo Palmeiras, mas que se projectou no Brasil com a camisola do rival Corinthians, destacou-se pela sua versatilidade no meio-campo, mas Tinga avisa que o novo camisola 77 dos lisboetas pode fazer a diferença noutras zonas do campo e definir ele próprio o marcador. "Atenção que o Elias faz muitos golos. É verdade que ele defende com mestria, é muito forte e intenso ao nível da marcação, mas é polivalente e surge muito bem lá na frente, em zonas de finalização", observa o antigo jogador do Sporting, que reforça ainda o espírito de comando do seu compatriota: "Ele tem muita personalidade, ataca e defende com a mesma qualidade, entra em qualquer situação de jogo com a mesma capacidade de decisão e tem aquela agressividade que é especialmente importante para um jogador sul-americano se impor na Europa." Para a despedida, Tinga pede outro recado a Elias. Em jeito de brincadeira: "Estou convencido de que ele vai dar que falar por todas essas qualidades que mencionei. Se ele conquistar os colegas e a torcida, tudo será mais fácil. Já agora que envie cumprimentos meus a todas as pessoas do Sporting. Só tenho boas recordações daquele público."
"Talvez por jogar sem o sete é que não rendi mais" Tinga não se conforma ao recordar o ano de 2004, em cujo início chegou a Alvalade e no final abandonou. O brasileiro explica porquê numa teoria curiosa: "Eu não jogava com o meu número, o sete. O pessoal disse-me logo para nem pegar porque estava amaldiçoado. Se o vestisse, logo, logo eu ia acabar machucado. Se calhar foi por isso que não rendi tudo quanto podia." Em tom sincero, o centrocampista que acabou por brilhar no Internacional, ao qual voltou, e no Borússia de Dortmund, desabafa: "Eu podia ter feito muito mais no Sporting. Joguei bem, sei disso, fiquei consciente de que tinha feito um bom trabalho, até porque o Carlos Freitas brigou até final para que eu ficasse, mas estava tudo acertado com o Inter. Senti pena... Ganhei títulos em todos os clubes por onde passei, menos no Sporting, que é enorme, com uma torcida maravilhosa que sempre me respeitou e apoiou. Fiz lá grandes amigos e tenho o leão no coração."
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