Toca a cerrar o dente FILIPE ALEXANDRE DIAS
Dentro de campo, Ricardo Sá Pinto é o mesmo de sempre, seja a jogar ou treinar. Durante o ensaio de ontem - o derradeiro antes de decidir frente ao Légia de Varsóvia o acesso aos oitavos de final da Liga Europa -, foi impossível não reparar no nível acentuado de intervenção do treinador do Sporting. Em cima do principal exercício visto pelos jornalistas, a incentivar, corrigir, soltando bem alto indicações, a exigir o máximo (de pressão e rapidez), o antigo internacional português fez-se notar durante os cerca de vinte minutos reservados à observação dos órgãos de comunicação social.
Sempre atento, o treinador começou por observar serenamente o primeiro período de trabalho, supervisionado pelo adjunto Tiago Moutinho, que consistiu em corrida com sprint e alguns exercícios com bola. De seguida, chamou a si todos os 20 jogadores de campo. Reuniu este grupo em seu torno, distribuiu coletes e transmitindo indicações sobre o exercício que se seguia, vocacionado para a posse, circulação de bola e pressão num espaço limitado. Aí, quem mandou foi o ex-avançado. Intenso e sempre em cima, Sá Pinto deu espetáculo, gritando constantemente a cada toque ou disputa de bola.
Foram escassos os segundos de silêncio que intervalaram cada palavra do sucessor de Domingos Paciência no comando do coletivo leonino. Assim que deu ordem para se iniciar a parte do ensaio que ministrou, só faltou Sá Pinto pegar na bola e mostrar ele próprio como se faz, não propriamente por sentir que os jogadores não cumpriam à risca o exigido, mas antes pela participação hiperativa que dedicou ao labor. De bloco na mão, Sá Pinto dividiu os conjuntos de uma dezena da seguinte forma: Arias, Xandão, Polga, Insúa, André Santos, André Martins , Schaars, Van Wolfswinkel e Ribas (coletes azuis); João Pereira, Rodriguez, Carriço, Evaldo, Renato Neto, Matías Fernández, Pereirinha, Carrillo, Capel e Diego Rubio (coletes brancos). Elias - que já não pode atuar em encontros de caráter europeu nesta temporada - foi o jóquer de serviço.
O "show" de Sá Pinto deu-se a seguir. Assim que lançou o esférico bola ao ar para a primeira disputa, o treinador do Sporting deu o primeiro de muitos brados: "Duelo!!!". Com a bola a ser jogada apenas a dois toques, o técnico deu de imediato a primeira indicação: "Qualidade, qualidade". A partir daí, foi um nunca acabar de pedidos, exigências, retificações. "Reagir, reagir!"; "Criar linhas de passe!"; "Mais rápido, mais rápido"; "E essa pressão???"; "Apoia!".
Marat Izmailov foi, curiosamente o único jogador em quem Sá Pinto insistia em dizer o nome: "Entra Marat, entra", pedindo ao russo que progredisse mais com o esférico para espaços interiores. Até terminarem os 20 minutos para os jornalistas foi sempre assim. Sá Pinto a mandar, o grupo a suar.
Discurso também é em inglês Ao comando de um plantel repleto de diferentes nacionalidades, Sá Pinto não aparentou dificuldades em fazer-se entender. Para os latinos, o português chegou facilmente aos elementos hispânicos, mas para Van Wolfswinkel o treinador do Sporting deu uns toques de inglês que, a julgar pela forma como o Iceman meneou, foram suficientes para passar a mensagem. Schaars é distinto, ou não conseguisse já o médio desembaraçar-se na língua de Camões.
Lesionados ausentes do trabalho de campo Para o último apronto antes da decisiva receção europeia ao conjunto polaco do Légia de Varsóvia, Ricardo Sá Pinto contou no relvado com todos os elementos disponíveis para treino. Ausentes estiveram os três jogadores verdes e brancos limitados por motivos de ordem física, no caso o norte-americano Oguchi Onyewu, o argentino Fito Rinaudo e o espanhol Jeffrén. Nenhum dos elementos em questão subiu ao terreno durante o período aberto aos média no campo principal da Academia Sporting, em Alcochete. Além dos exercícios de treino dedicados aos elementos de campo que foram possíveis aos jornalistas registar, o novo técnico de guarda-redes, Nélson Pereira, ministrou treino de baliza a Rui Patrício, Marcelo Boeck e Tiago.
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