Marcelo não deixa que Patrício durma PAULO A. TEIXEIRA
A Taça de Portugal foi a oportunidade há muito aguardada por Marcelo para defender a baliza leonina em jogos oficiais. Em Famalicão, nem foi chamado a intervir muitas vezes, mas quando foi posto à prova não tremeu e fez mesmo algumas defesas de grande nível que permitiram aos leões saírem do Municipal 22 de Junho sem golos sofridos. Com este desempenho, o suplente deixou um sério aviso ao títular Rui Patrício: "Se facilitar, se adormecer, vai perder o lugar", como diz Peçanha em declarações a O JOGO, ele que na época passada caiu para o banco do Marítimo na luta com o agora leão.
O desempenho em competição provou que Marcelo é um sério concorrente, estimulando a rivalidade. "É sempre bom ter no grupo concorrência à altura para o titular não adormecer. É claro que, no Sporting, ele não está tanto em acção, porque se pratica um futebol mais ofensivo, mas isso não o penaliza. Ele não adormece. Mantém durante todo o jogo altos níveis de concentração", frisa Peçanha, que deixa um conselho: "Que pense em grandes conquistas, em querer sempre mais, pois têm tudo para ser um grande nome na Europa."
Apelando à memória, Peçanha recorda como perdeu o lugar para Marcelo nas redes do Marítimo. "Joguei os dois primeiros jogos da eliminatória da Liga Europa [Fingal, onde sofreu quatro golos], mas como tinha de cumprir quatro jogos de castigo no campeonato, o Mitchell van der Gaag [treinador] deu-lhe a titularidade com o Bangor para ganhar ritmo e conhecer a equipa. Sorte dele, azar meu, que nunca mais joguei", lembra, insistindo que Patrício não pode vacilar. "Marcelo é excelente. Tem tudo o que um guarda-redes precisa: é muito bom nas saídas da baliza, no jogo aéreo, a jogar com os pés e tem excelentes reflexos. Só tem de ter paciência, porque o Rui Patrício está no clube há muito tempo e é o guarda-redes da Selecção", afirma, perspectivando um futuro risonho ao compatriota: "Tenho a certeza de que vai vingar no Sporting e até pode sonhar com voos mais altos em outros clubes europeus. Foi uma excelente aposta do Sporting."
A exibição segura de Marcelo em Famalicão foi tudo menos surpreendente para Peçanha: "Esteve muito bem. Não tremeu na estreia por um grande, que é algo que muitos atletas podem acusar. Esteve sempre seguro e concentrado. Aos 88', fez uma defesa a um cabeceamento cruzado, numa zona muito próxima da baliza. Foi uma intervenção com grau de dificuldade elevado."
Sabe comunicar em campo A estreia de Marcelo em jogos oficiais em Portugal aconteceu em Alvalade, em 2008/09. Em jogo da Taça da Liga, o Sporting acabou por vencer o Marítimo por 3-0 (golos de Djaló, Liedson e Romagnoli), mas o técnico Lori Sandri apostou em Marcelo para render Marcos, castigado. É certo que não foi a melhor estreia, mas Marcelo já evidenciou uma característica importante num guarda-redes: a comunicação. "Tem uma personalidade forte e fala de forma determinada com os colegas. Não é daqueles guarda-redes que estão os 90 minutos a gritar, mas ajuda a corrigir as posições quando sente que é preciso", aponta o seu ex-suplente, Peçanha, a O JOGO.
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