"Temos de ganhar mas não estamos sob pressão" RUI MIGUEL GOMES
O triunfo do Marítimo frente ao Leiria e o consequente distanciamento de três pontos para a quarta posição da Liga ZON Sagres não impõe, defende Ricardo Sá Pinto, qualquer "pressão acrescida" sobre a equipa leonina, a qual "procura melhorar a qualidade de jogo" com a necessidade de vencer sempre presente. Frente ao Rio Ave, o técnico leonino, depois de elogiar na conferência de Imprensa, ontem, em Alvalade, os momentos de transição ofensiva como "ponto mais forte" de um "adversário difícil", manterá a tónica nos pressupostos que tem defendido para a equipa, a qual não irá ter uma estratégia diferente face aos últimos encontros. "Não vou mudar a nossa forma de jogar e aquilo que pretendo para a equipa", disse.
A vitória do Marítimo sobre o Leiria, anteontem, coloca alguma pressão sobre a equipa, atendendo ao facto de esta levar três pontos de vantagem na corrida ao quarto lugar? Pensamos sempre em vencer o próximo jogo, agora é o Rio Ave. É um jogo muito importante. Temos a noção do que queremos, temos de ganhar e o resultado dos outros adversários não nos coloca qualquer tipo de pressão. A nossa vontade é querer fazer mais e melhor, querermos aproximar-nos dos lugares cimeiros da tabela, essa é a nossa grande preocupação. Conquistar três pontos que nos permitam continuar a crescer e a evoluir, acreditando que podemos lá chegar mais acima.
Tem havido sinais de agrado dos jogadores face ao seu trabalho, o que encontrou quando pegou na equipa? Não faz sentido falar sobre o passado. Quero é reforçar que nesta altura é importante dizer que os jogadores estão muito motivados, com uma vontade enorme de continuar a ter resultados positivos, tentar melhorar a qualidade de jogo a cada dia que passa e isso acho que vai aparecer naturalmente. Quanto aos resultados,é preciso lutar arduamente, o nosso trabalho vai ser forte e a vontade de praticar bom futebol vai ser evidente. As coisas vão aparecer com naturalidade, são pequenos cliques que surgem até meio de um jogo. Temos jogadores de grande qualidade e como os temos acredito que vamos conseguir. Teremos oito jogadores nas seleções, se Onyewu estivesse bem seria chamado. É um sinal forte que temos jogadores de qualidade. A minha ideia é fazer acreditar que é possível jogar da forma que pretendemos.
As transições de que falou como sendo um dos aspetos em que o Rio Ave é forte podem modificar, de algum modo, a forma de a equipa abordar o jogo? O Rio Ave tem jogadores muito fortes na frente, fazem o jogo com uma organização defensiva muito boa, duas linhas próximas e a procurar rapidamente, através da pressão sobre o portador da bola, sair rápido pelos corredores, utilizando também a referência que é o João Tomás. Mas a forma de ver o jogo, e para o Sporting interessa olhar o que o adversário faz estrategicamente, embora isso não altere aquilo que pretendo. Estaremos atentos sim, aos pontos fortes e menos bons do Rio Ave, mas não vou mudar a nossa forma de jogar e aquilo que pretendo para a equipa.
O Sporting terá pela frente um adversário que pretende conquistar pontos e que ameaça ser um obstáculo complicado de ultrapassar tendo em vista a luta pelo quarto lugar. Como se encontra a equipa e o que espera do adversário? Espero um Rio Ave ambicioso, com vontade, legítima, de pontuar, pelo menos a avaliar pelo que disseram os seus jogadores, que sublinharam ser possível ganhar em Alvalade. Espero uma equipa combativa, organizada, forte nas transições como tem sido normal e habitual dentro da sua identidade de jogo que tem mantido de há alguns anos atrás. Tem mantido o treinador, a maior parte dos seus jogadores, logo é uma equipa com rotinas, todos se conhecem bem e estão preparados para o estilo de jogo que apresentam. Independentemente disso, de um ou outro jogador que possa atuar, é uma equipa que não altera muito a sua forma de jogar em função do adversário. Espero um jogo difícil.
"Há opções válidas e fortes para o centro da defesa"
Tem enfrentado muitos problemas com as lesões de alguns jogadores, qual é o estado físico de jogadores como Rodriguez, Matías Fernández e Izmailov? Estão aptos? Amanhã [hoje] vão ver.
Mas reconhece que esses problemas físicos têm condicionado... Logicamente, mas temos outros jogadores disponíveis, na máxima força, para que possamos estar mais fortes. As lesões fazem parte do jogo, deste desporto, portanto, é um facto que temos de saber contornar. É uma pena para o treinador não poder contar com todos, mas aqueles que puderem estar presentes neste jogo serão substituídos por outros. Quem estiver em campo vai dar o seu melhor para fazer um bom jogo e ajudar a equipa.
Sem Onyewu e Rodriguez para o encontro com o Rio Ave, por lesão, pondera utilizar a dupla Polga e Xandão ou está a pensar fazer recuar Carriço para o centro da defesa? Posso dizer é que temos opções válidas e fortes para essas posições.
"Era importante passarmos de 20 para 40 mil no estádio" A relação de Sá Pinto com os adeptos tem mais de 15 anos e remonta aos seus tempos de jogador. Agora, na qualidade de técnico da equipa principal, agradece e valoriza o apoio da massa associativa mas pede ainda mais: quer ver a assistência duplicar para alimentar com confiança os seus atletas.
Tem feito apelos sucessivos desde que é treinador da equipa aos adeptos para apoiarem a equipa, atendendo às dificuldades financeiras existentes no clube, nas famílias e ao momento desportivo que a equipa atravessa. Esperava ter 20 mil adeptos no Estádio José Alvalade a apoiar? Esperava o apoio do público, aliás, quero dar uma palavra de agradecimento aos que vieram ao estádio, se não vieram mais também é por causa da sua vida familiar, o tempo e o frio também não ajudam em muitas situações, mas os que estiveram foram fantásticos. Mesmo que tenham sido referidos alguns momentos de insatisfação com o que estavam a ver ou com a qualidade de jogo da equipa, os adeptos foram extraordinários, apoiaram do primeiro ao último minuto. As nossas claques estiveram sempre a cantar. Estou muito satisfeito, espero que, em termos qualitativos, possamos manter esta postura e a nível quantitativo gostava que passássemos de 20 mil para 40 mil pessoas no estádio, pois seria um fator importante para nós, para que os jogadores sintam que os adeptos acreditam e para que nós consigamos dar mais qualquer coisa do que podemos dar. É importante um Sporting unido e forte, dos adeptos aos jogadores, para que se demonstre a dimensão real do nosso clube.
"Não tem havido tempo para passar as nossas ideias"
Atendendo ao curto percurso que ainda tem como treinador da equipa principal, qual foi ou tem sido o principal vício ou problema a combater dentro do plantel? O fator tempo tem sido decisivo. Tempo para trabalhar e passar as nossas ideias não tem havido. Queremos que os jogadores possam ter mais tempo de recuperação, consigam combater o desgaste físico, pois a carga competitiva tem sido muito exigente. A falta desse tempo tem sido a maior contrariedade nesta altura, para mim e para a equipa. É o calendário que temos, um facto que temos de saber contornar e viver com ele, mas perante as adversidades todas que temos tido, os jogadores têm sido fantásticos, correspondido ao máximo com o que lhes tenho pedido. Espero que continuem da mesma forma, humildes, sérios, com este grande espírito de equipa, com uma grande vontade de continuar numa onda de resultados positivos. Espero que continuem envolvidos como estão, pois só assim é que podemos manter um nível positivo e chegar à linha que queremos. Os resultados trazem confiança, alegria, qualidade de jogo que queremos melhorar.
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