Seca não afecta Ricky JEAN-PAUL LARES
Ricky van Wolfswinkel estabeleceu-se como goleador de serviço do melhor Sporting de Domingos Paciência, mas, tal como a equipa, atravessa uma fase de maior dificuldade. O ponta-de-lança holandês não factura para a Liga desde 6 de Novembro - marcou, de penálti, ao Leiria - e, de bola corrida, para a principal competição nacional, não faz o gosto ao pé desde o dia 24 de Setembro, quando bisou frente ao Vitória de Setúbal.
Quem o conhece garante, contudo, que o camisola 9 não está a atravessar uma crise de confiança. "O Ricky não se deixa afectar por esses períodos. Pode não marcar num ou outro jogo, mas não perde a fé nas suas capacidades. Pelo contrário, mantém toda a confiança e vai rapidamente voltar aos golos", garante, a O JOGO, Rob Rietveld, presidente do grupo True Support, do FC Utrecht, antigo clube de Van Wolfswinkel, que é também amigo pessoal do jogador. "Falei com ele há pouco tempo, e estava confiante em que a equipa ia ultrapassar esta fase conturbada e que ele próprio iria rapidamente voltar aos golos", acrescenta, revelando outro factor que pode ser decisivo para o rendimento do Iceman. "É evidente que aqui, no FC Utrecht, o Ricky também passou por um período sem marcar, mas não teve suficiente apoio dos técnicos. Mesmo assim, ultrapassou-o. Não é jogador para se deixar abater por jogos menos bons", assegura Rietveld.
O amigo de Van Wolfswinkel deixa mesmo esse conselho para o retomar da veia goleadora do avançado. "O Ricky está pronto, mas se os técnicos lhe derem confiança, pode tornar-se ainda mais fácil para ele voltar aos golos. Mas é só uma questão de tempo", assegura Rob Rietveld.
Certo é que esta fase de menor produção não é responsabilidade exclusiva do jogador, já que a equipa tem sido incapaz de criar o mesmo volume ofensivo e são muitas as vezes em que Van Wolfswinkel se vê demasiado só entre os defesas contrários, sem o fornecimento das munições a partir dos flancos que garantiram o melhor período do Sporting na presente temporada. Resolver este problema é certamente uma das prioridades de Sá Pinto, o novo técnico.
Paços lançou-o para melhor fase O facto de o Paços de Ferreira ser o próximo adversário dos leões pode ter um peso simbólico para Ricky Van Wolfswinkel, já que foi frente ao mesmo oponente, na partida da primeira volta, na Capital do Móvel, que o avançado holandês começou a ganhar espaço na equipa e no coração dos adeptos: os leões perdiam por 2-0, mas deram a volta e, saltando do banco, o Iceman fez jus à alcunha apontando o golo que consumou a reviravolta (2-3).
Começou aí a era de promessa de glória para a equipa ainda orientada por Domingos Paciência, e também para o avançado, que passou a jogar - e a marcar - com assiduidade.
Foi também em Paços de Ferreira que Domingos promoveu a entrada no onze de alguns dos reforços do defeso que se haveriam de tornar peças fundamentais na estrutura da equipa, casos de Onyewu, no centro da defesa, Insúa, na lateral esquerda do mesmo sector, e de Elias, que acabara de ser contratado e logo foi promovido à titularidade no meio-campo.
Resta saber se Ricky e companhia serão capazes de aproveitar o simbolismo do momento para fazer nova viragem num ciclo negativo.
Concorrência interna ainda a zero Van Wolfswinkel não tem concorrência no plantel leonino, afirmando-se como a principal referência do ataque dos leões e herdando o pesado legado de Liedson, que deixou Alvalade há um ano e não teve ainda um sucessor que fizesse esquecer o seu faro para o golo. O holandês contratado ao Utrecht deu mostras de ser goleador precisamente ante o próximo adversário dos leões, o Paços de Ferreira, consumando a reviravolta na Mata Real, e não mais deixou o lugar reservado ao camisola 9, na frente de ataque. Se Bojinov, entretanto cedido ao Lecce, também marcara, a verdade é que mais nenhum dos avançados do plantel fez o gosto ao pé; nem Ribas nem Diego Rubio conseguiram ainda fazer golo algum de leão ao peito.
www.ojogo.pt