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 Assunto da Mensagem: [Futebol] Albano Narciso Pereira (1922-1990)
MensagemEnviado: 07 Abr 2011, 15:42 
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Principais características: Velocidade, criatividade e uma invulgar disposição perante a competição.

Galardões: Prémio Stromp, na categoria "Saudade", em 1998.

Momentos de ouro: Na Selecção Nacional, numa partida frente à Escócia, fintou um defesa contrário, de nome Young, passando-lhe por entre as pernas.

Curiosidades: O Sporting pagou ao Barreirense pela sua transferência a astronómica quantia, para a altura, de 20.000 escudos.

Abandono: Jogou até aos 35 anos, terminando a sua ligação ao Clube em Julho de 1957, numa festa de homenagem. Faleceu no início da década de noventa.

Curriculum:
  • Nome Completo: Albano Narciso Pereira
  • Data de Nascimento: 22 de Dezembro de 1922
  • Naturalidade: Seixal
  • Posição: Extremo esquerdo
  • Internacionalizações: 15
  • Clubes representados: Barreirense, Seixal e Sporting

Títulos conquistados:
  • Oito Campeonatos Nacionais (incluindo um "tricampeonato" e um "tetracampeonato"): 1943/44, 1946/47, 1947/48, 1948/49, 1950/51, 1951/52, 1952/53 e 1953/54
  • Quatro Taças de Portugal: 1944/45, 1945/46, 1947/48 e 1953/54

No Sporting:
  • No total: 510 jogos/249 golos
  • No Campeonato Nacional: 240 jogos/118 golos
  • Estreia: Setembro de 1943

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 Assunto da Mensagem: Albano, 153 golos, entre 1943 e 1956
MensagemEnviado: 07 Abr 2011, 15:45 
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Albano, 153 golos, entre 1943 e 1956

Albano fez parte da magnífica equipa dos «cinco violinos», que marcou indiscutivelmente não só a história do Sporting como o futebol nacional. Veloz, criativo e com uma invulgar disposição perante a competição, Albano actuava como extremo-esquerdo e era considerado o malabarista da equipa «leonina».

Segundo reza a história, o jogador tinha uma alegria incontida de jogar à bola. A baixa estatura e a velocidade punham a cabeça dos adversários em água. Numa partida da selecção nacional – que representou por 15 vezes – frente à Suíça, passou por entre as pernas do seu marcador directo.

Ao serviço dos «leões», sagrou-se tri e tetracampeão e conquistou quatro Taças de Portugal. A sua estreia pelo Sporting aconteceu no dia 12 de Setembro de 1943, num encontro com o Fósforos, que os «leões» venceram, por 2-0.

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 Assunto da Mensagem: Albano é uma das 100 figuras do futebol português
MensagemEnviado: 07 Abr 2011, 15:49 
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Albano é uma das 100 figuras do futebol português

De Albano Narciso Pereira, jogador criativo e imprevisto, disse Fernando Peyroteo, primeiro violino de um grupo que tanta melodia deu ao futebol: «Nada fazia em força, mas em jeito.

Tudo era feito de uma maneira leve e suave.» De facto, a criatividade, a velocidade, uma alegria incontida de jogar a bola e, até, facilidade no remate fizeram de um futebolista pequeno de estatuta um jogador histórico. Imenso.

Começou a jogar com a trapeira, bola comum a tantos miúdos dos outros tempos, no Seixal, onde nasceu muito perto do Natal de 1922.

Jogou no Barreirense, voltou ao Seixal já como sénior, de onde transitou para o Sporting, na altura em que o clube era dirigido pelo dr. Amado de Aguiar. As finanças leoninas não eram famosas, lutava-se por uma sede e por um estádio, por isso houve quem tivesse censurado a compra do passe do jogador por 20 contos. O investimento do presidente do Sporting rendeu bons juros: Albano marcou 252 golos e jogou 443 vezes com a camisola verde e branca. Tinha oscilações de forma, nem sempre rendia o que dele exigiam, mas em todas as circunstâncias soube ter um comportamento louvável, até quando alinhava pela reserva. Em entrevista a A BOLA, no dia da sua festa de homenagem, a 29 de Junho de 1957, quando já lhe chamavam velho, como é costume cá na terra, Albano disse, humildemente, que continuaria a jogar na reserva ou onde fosse necessário, até o Sporting o mandar embora.

Pelo Sporting jogou pela primeira vez em Setembro de 1943. O adversário foi o Fósforos. No fim da época recebia o seu primeiro título de campeão nacional, substituindo João Cruz, que era jogador de prestígio na época. Dos futuros violinos só encontrou, então, Peyroteo. Nessa altura a linha dianteira sportinguista era constituída por Mourão, João Cruz, Peyroteo, António Marques e Albano. Mas, além daqueles famosos futebolistas, Albano, quando cruzou as portas do Campo Grande, encontrou ainda Azevedo, Cardoso, Manuel Marques, Nogueira, Canário, Barrosa, Eliseu e Pireza, o jogador que tinha olhos nos pés, como ele dizia.

Na época de 1945/46, com Cândido de Oliveira, ganhou a Taça de Portugal, integrando a linha avançada, também constituída por Armando Ferreira, Sidónio, Peyroteo e António Marques. Vê-se que foi protagonista da táctica de Cândido de Oliveira, que quis aproveitar as características de Sidónio, rematador inato, colocando-o ao lado do famoso Peyroteo. É no arranque da época de 1946/47 que aparecem mais dois violinos: Vasques e Travaços, jovens de 20 anos. E Jesus Correia surgiria, logo de seguida, a compor a orquestra. Assim, o quinteto avançado dos leões, que venceram o Nacional de 1946/47, já é composto, normalmente, pelos violinos Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travaços e Albano.

Campeão seria Albano pela última vez na temporada de 1953/54. Desde 1951 que jogava Carlos Gomes na baliza, na extrema direita alinhava Hugo Sarmento e João Martins era o avançado-centro. Ainda faltavam três anos para a festa de homenagem, talvez Albano tivesse levado longe de mais a sua carreira de futebolista fulgurante, talvez precisasse de a continuar por razões económicas, talvez o desejo de jogar fosse mais forte que o de sair em plena pujança física e técnica. Talvez..

Acabar a vida como corticeiro...
Recebeu, em 29 de Junho de 1967, quase 14 anos depois de ter envergado pela primeira vez a camisola do Sporting, a Medalha de Ouro da FPF e o Grau de Mérito da AFL, além de outras homenagens. Voltou ao Seixal. Por aqui jogou e se treinou. Sem jamais ter abdicado de uma das suas características pessoais. Gostava, realmente, de gozar a vida ao seu jeito. Com o dinheiro que conseguiu ainda ganhar no Sporting adquiriu um café, mas o negócio foi um total fracasso. Culpa dele e dos fregueses, que bebiam de borla. Acabou por empregar-se como corticeiro na fábrica Mundet e faleceu em 5 de Março de 1990.

De nariz torcido...
A baixa estatura nunca o inibiu. Mas chegou a perturbar adversários de renome. Como o espanhol Riera, um grandalhão ameaçador, ou o escocês Young, que ele um dia bateu numa jogada invulgar, passando-lhe por baixo das pernas, ou o italiano Ballarin, que não era boa prenda. Ora, em Génova, no Itália-Portugal (4-1), o azougado Albano resolveu atirar uma gracinha irónica ao adversário directo, quando Lourenço marcou o golo português. A vingança de Ballarin foi original: cada vez que a Itália marcava um golo, e foram quatro, chegava-se a Albano e torcia-lhe o nariz.

A nível nacional ficaram famosas as suas esgrimas com Vasco de Oliveira, uma das torres de Belém. Vasco era temperamental e usava frequentemente o físico, tão impressionante como o de Feliciano ou de Capela. Jogada mais apertada entre ambos, já se sabia, lá ia o Albano parar ao chão. Os sportinguistas não suportavam as cargas do calmeirão sobre o pequenote. Então, o Vasco, com o ar mais inocente da vida, desculpava-se: «Olha lá, pá, que culpa tenho eu de seres pequenino?!»

Barco que o salvou da PIDE
Albano alinhou pela Selecção Nacional no celebérrimo jogo da chuva, como ficou conhecido o Portugal-Suíça (2-2) do dia 5 de Janeiro de 1947. Mas não esteve em campo o tempo todo, substituído por Jesus Correia, que passou a jogar a extremo-direito, derivando Rogério para a ponta esquerda. Aliás, Albano entendeu mal uma ordem do seleccionador e só por isso abandonou o terreno-piscina mais cedo. Naquele tempo era preciso simular uma lesão para que a troca de jogadores pudesse parecer natural. Por isso, Albano, de súbito, transformou-se num elemento incapacitado e, por mais tentativas que do lado de fora fizessem a fim de o esclarecer, nada feito. Enfim, saiu do campo, entrou o Jesus Correia e só depois compreendeu que quem devia ter saído era o Rogério.

Como Albano respondeu ao inquérito pidesco
Quando, em entrevista ao nosso jornal, recordou o episódio a Carlos Pinhão, saiu-se com uma boa piada: «Choveu tanto naquele Portugal-Suíça que encolhi mais dois centímetros.»

Rogério de Carvalho, o famoso pipi, durante uma boa temporada foi senhor do lugar de extremo-esquerdo na Selecção. Albano foi, por causa dessa opção dos técnicos, muitas vezes suplente do benfiquista. Mas houve um dia em que ele até gostou de não ter jogado. Foi contra a Inglaterra, naquele famoso dez a fio que deixou ofendida muita gente, especialmente os falsos patriotas. A DGD castigou, praticamente, toda a equipa e o Sporting, com oito seleccionados, foi severamente punido a pontos de, num próximo Benfica-Sporting, não ter podido jogar com Azevedo, Cardoso, Barrosa, Jesus Correia, Vasques, Peyroteo e Travaços. Os jogadores foram acusados de se terem alheado do jogo devido a não lhes ter sido dado o dinheiro que tinham reivindicado.

Claro que os futebolistas negaram, veementemente, a acusação. Resolveram, então, pegar-lhes por não terem comparecido ao banquete. Houve quem tivesse ironizado, atirando achas para a fogueira: «Ao banquete? Para quê? Nós não falamos inglês e a Federação nem em português quer falar connosco.»

A verdade é que a brincadeira ficou cara, especialmente a Cardoso, castigado com um ano de suspensão. Ao inquérito pidesco Albano Narciso Pereira respondeu que na sua qualidade de suplente tinha saído mais cedo do campo, direitinho a casa. Não faltou à verdade, pois por norma Albano não comparecia aos banquetes porque tinha de apanhar o barco para o Seixal. E como tinha sido apenas suplente, pensaram que não fora convocado para o jantar de confraternização com os autores dos 10-0.


in ABOLA: "100 figuras do futebol português"

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